A Faculdade de Petrolina (Facape) inicia, nesta segunda-feira (3), a ‘III Mostra Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (MIEPE)’, que neste ano reúne mais de 400 trabalhos inscritos de estudantes, pesquisadores e professores. O evento consolida o compromisso da instituição com a produção científica, a inovação e a integração entre diferentes áreas do conhecimento.
A MIEPE também reforça seu caráter internacional e este ano contará com trabalhos escritos da Espanha, Colômbia, Chile e Argentina, ampliando o intercâmbio científico e fortalecendo o diálogo entre pesquisadores de diferentes países.
A programação oficial já está disponível no site da Facape e revela a grandiosidade desta edição, com 57 salas temáticas nas áreas de Direito, Educação e Literatura, Ciência da Computação, Administração, Ecologia, Meio Ambiente e Agronegócio, Medicina, Psicologia, História, Cultura e Sociedade, Ciências Contábeis, Economia, entre outras.
As atividades acontecerão nos três turnos, mobilizando a comunidade acadêmica em apresentações, debates e exposições que refletem a força da pesquisa e da extensão desenvolvidas na Facape.
Uma operação conjunta de forças de segurança do Ceará e de Pernambuco levaram à prisão, na última semana (30), de um dos chefes da facção Comando Vermelho (CV) em Fortaleza. Wendel Martins Vieira, conhecido como ‘Wendel Mac’, é apontado como um dos líderes do grupo criminoso no bairro Bom Jardim.
O suspeito de 27 anos foi capturado na zona rural de Exu, no Sertão de Pernambuco. No momento da prisão, os agentes encontraram com ele um aparelho celular e cerca de 56 gramas de maconha. Em seguida, Wendel foi algemado e conduzido para uma viatura. As informações são do Diário do Nordeste.
Investigações da Polícia Civil do Ceará (PCCE) mostram que ‘Mac’ coordenava ações criminosas na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e fazia conexões com núcleos da organização em outros Estados.
Com registros criminais desde 2018, a Justiça cearense já havia expedido mandado de prisão preventiva contra o suspeito pelos crimes de receptação, integrar organização criminosa, homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico e outros.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ele também é investigado pela 2º Delegacia de Polícia Civil de Homicídios e Proteção à Pessoa (2ª DHPP) por participação em uma ocorrência que resultou em um homicídio e em outras três pessoas lesionadas por disparo de arma de fogo, em novembro de 2024, no bairro Bom Jardim.
“O suspeito foi capturado, por intermédio de um mandado de prisão preventiva solicitado pela PCCE e deferido pela Justiça. Após a prisão, ele foi conduzido até a unidade policial, onde o mandado foi cumprido e o flagrante lavrado. Agora, ele está à disposição do Poder Judiciário”, finaliza a SSPDS.
Ofensiva contra o CV no Ceará
A prisão ocorreu um dia antes de uma reação policial contra o CV no Ceará. Na madrugada da última sexta-feira (31), sete integrantes da facção morreram em confronto com forças de segurança na cidade de Canindé, no interior cearense.
O grupo teria ido ao bairro Campinas planejando matar rivais da facção Terceiro Comando Puro (TCP), mas foram interceptados por equipes do Raio, Força Tática e Policiamento Ostensivo Geral.
Eles revidaram à chegada dos agentes de segurança com disparos de armas de fogo e lançamento de granadas. Porém, foram baleados e mortos. Segundo a identificação oficial, cinco tinham entre 18 e 22 anos, e dois eram adolescentes de 16 anos
Imagens exclusivas feitas por câmeras em drones da polícia, mostraram alguns recortes inéditos sobre a megaoperação no Rio de Janeiro, que ocorreu na última terça-feira (28) e registrou a morte de mais de 120 pessoas. Divulgados pelo Fantástico, neste domingo (2), os vídeos trouxeram alguns dos momentos de policiais no alto do morro.
As gravações da inteligência da polícia apontaram que os bandidos estavam armados, reunidos no alto do morro e vestiam roupas pretas ou camufladas. No momento da fuga dos suspeitos, a polícia chegava à localidade por diferentes entradas dos complexos.
Os vídeos mostraram ainda o momento em que um delegado foi baleado dentro de uma casa da comunidade. Em seguida, os policiais precisaram derrubar o muro da residência para socorrerem o delegado. Na sequência, os agentes colocaram o delegado em uma moto para levá-lo para o socorro.
No Complexo da Penha, o drone da polícia registrou outro tiroteio. Cerca de seis policiais chegaram na parte inicial da mata. Na ocasião, eles foram surpreendidos ao se depararem com um grupo de bandidos que atiraram contra a tropa. Na ação, dois policiais caíram no chão e se arrastaram para se proteger. Neste mesmo momento, um foi ferido na mão e o outro na barriga. A imagem mostra ele chamando reforço por telefone.
Tempo depois, Rodrigo Cabral, chegou para socorrer um colega. Segundos após entrar na mata, eles foram recebidos com tiros novamente e Rodrigo foi baleado na cabeça. O resgate aconteceu somente depois de policiais chegarem se rastejando até o corpo do agente.
Outra gravação mostra um outro momento da operação, já na parte da tarde. Por volta das duas horas, uma outra corporação localiza suspeitos dentro de um esconderijo. A polícia pede que os criminosos se rendam, no entanto, eles resistem ao pedido. Só após a entrada da imprensa, que eles se entregam.
No mesmo momento, ocorria um outro conflito na mata, no alto do Complexo, na Serra da Misericórdia. Foi no local que aconteceu o confronto mais violento da operação, onde mais mortes foram notificadas.Toda operação durou cerca de 18 horas e foi até a noite. Entretanto, outras gravações não foram visualizadas, já que conforme o Governo do Rio de Janeiro, as câmeras corporais pararam de gravar por falta de bateria.
Os dois blindados da polícia teriam deixado a comunidade por volta das 22h, segundo o Fantástico, baseado em uma imagem feita por um morador.
Desde sábado, 1º de novembro, entrou em vigor o período de piracema na bacia do Rio São Francisco. Durante o defeso, a pesca comercial fica suspensa para proteger a reprodução dos peixes, com regras que valem em todo o país e prazos definidos por bacia e por estado, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
É permitida apenas a pesca de subsistência, voltada à alimentação da família, conforme normas locais.
Quem descumprir as restrições comete crime ambiental. A medida protege espécies migratórias e seus ninhos ao longo do rio e de afluentes.
Na bacia do rio São Francisco, o defeso da piracema vai até 28 de fevereiro em rios, córregos e afluentes. Nas lagoas marginais conectadas ao São Francisco, a proibição de pesca permanece até 30 de março. Essas regras seguem a normativa federal aplicada à bacia.
A palavra “piracema” vem do tupi e significa “subida dos peixes”. Durante o vigor, a fiscalização é reforçada por órgãos estaduais, federais e polícias ambientais.
Pescar em período de defeso é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais. As sanções incluem detenção de até três anos e multa de R$ 700 a R$ 100 mil, acrescida de R$ 20 por quilo de pescado apreendido, além da apreensão de embarcações e petrechos.
O que passa a valer
Pesca comercial (artesanal ou industrial): suspensa durante o defeso da piracema.
Subsistência: pode haver permissões locais com apetrechos simples (ex.: linha de mão/caniço) e cota restrita; as regras são definidas por cada estado e devem ser consultadas antes da captura.
Transporte e comércio de pescado nativo de águas interiores: proibidos quando oriundos de áreas sob defeso; o pescado legal comercializado deve ter nota fiscal e comprovação de origem (ex.: aquicultura).
Outras bacias
Além do São Francisco, o defeso de novembro também atinge bacias do Paraná e Paraguai (Centro-Sul), Tocantins-Araguaia e trechos das bacias Atlântico Leste e Atlântico Nordeste/Parnaíba, com particularidades e calendários próprios estabelecidos por estados e órgãos ambientais.
A orientação é consultar a regra local (estado/município) para a bacia e o trecho do rio onde pretende pescar.
Em caso de suspeita de infração, acione a polícia ambiental de sua região ou a ouvidoria do órgão ambiental competente. (Serviços e Informações do Brasil)
Seguro-Defeso
Enquanto ficam proibidos de pescar, os pescadores artesanais têm direito a receber o Seguro Desemprego do Pescador Artesanal, conhecido como Seguro-Defeso.
O benefício foi criado pela Lei nº 10.779/2003e garante uma ajuda mensal de um salário-mínimo para cada profissional.
Para receber o Seguro-Defeso, o pescador deve viver unicamente da pesca, estar registrado no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) e possuir a Licença de Pescador Profissional, estando em dia com as obrigações legais. Além disso, após dezembro de 2025, também será necessário ter a Carteira de Identidade Nacional (CIN).
Bianca reforça que o respeito ao defeso é uma responsabilidade coletiva, compartilhada entre pescadores, gestores públicos e toda a sociedade. “Cumprir as regras da Piracema é um ato de compromisso com a sustentabilidade.
Cada pescador que suspende suas atividades nesse período contribui diretamente para a conservação das espécies e para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos”, afirmou.
Ela acrescenta que o Seguro-Defeso tem papel estratégico nesse processo, pois cria as condições necessárias para que o pescador artesanal possa respeitar a paralisação da pesca.
“Esse instrumento assegura que o pescador possa cumprir as restrições temporárias sem comprometer seu sustento, fortalecendo a adesão ao defeso e garantindo a efetividade das medidas de proteção aos peixes”.
Mais rigor na fiscalização – Em junho de 2025, entrou em vigor a Medida Provisória nº 1.303, criando novas regras para a concessão do Seguro-Defeso. O objetivo é combater fraudes e outras irregularidades
A Prefeitura de Juazeiro cumpre nesta tarde de sexta-feira (31) uma decisão judicial relacionada ao prédio histórico da Sociedade 28 de Setembro, localizado no Centro da cidade. A medida visa garantir a preservação do patrimônio público e cultural do município, assegurando também a segurança estrutural do imóvel.
O Município reforça que todas as ações seguem estritamente o que foi determinado pela Justiça, observando os princípios da legalidade, do diálogo e do respeito à história e aos artistas locais que utilizavam o espaço.
O prédio passará por intervenções necessárias para correção de danos estruturais identificados em laudo técnico, evitando riscos à integridade física de pessoas e à conservação do bem. A Prefeitura, por meio da Procuradoria Geral e da Secretaria de Administração, vem mantendo contato com representantes dos grupos culturais e instituições de ensino para viabilizar alternativas temporárias de realocação e guarda dos materiais artísticos.
Com a reforma, o governo municipal reafirma seu compromisso com a preservação do patrimônio histórico e com a valorização da memória cultural de Juazeiro, buscando devolver à população um espaço seguro e revitalizado, em conformidade com sua importância simbólica e histórica.
Fisiologia, nutrição e sanidade no cultivo da mangueira, melhoramento genético, variedades, qualidade e mercado, conectando a pesquisa ao consumo. Estes são os temas principais da 15ª edição do Workshop Internacional da National Mango Board no Vale do São Francisco, que será realizado quarta-feira (5), das 8h às 17h30, no auditório da Valexport (Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco).
O evento, uma iniciativa conjunta da National Mango Board (EUA) e Valexport, com apoio da Embrapa Semiárido, Frutvasf/ Univasf, Sebrae e Centro de Excelência em Fruticultura-Senar, tem como propósito fortalecer a parceria técnica e científica entre Brasil e Estados Unidos, promovendo a melhoria contínua da qualidade, sustentabilidade e competitividade das mangas brasileiras destinadas à exportação.
O encontro vai reunir produtores rurais, exportadores, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, pesquisadores, consultores, representantes de instituições públicas e privadas, visando fortalecer o intercâmbio técnico e científico com os representantes da National Mango Board (NMB), instrumento do Departamento Americano de Agricultura, que tem como meta principal aumentar o consumo da fruta nos Estados Unidos.
A programação inclui uma mesa-redonda técnica pela manhã e um ciclo de palestras durante a tarde entre os palestrantes, estarão pesquisadores da Embrapa Semiárido e da Frutvasf/Univasf, além de diretores da National Mango Board, que trarão informações estratégicas sobre o consumo de manga nos Estados Unidos e o impacto dos programas de marketing e pesquisa conduzidos pela NMB. Também já confirmaram presença profissionais das áreas de qualidade, rastreabilidade, certificação, logística e mercado internacional de várias partes do país.
De acordo com o gerente Executivo da Valexport, Tássio Lustoza, os Estados Unidos representam o principal destino das exportações de manga do Vale do São Francisco, absorvendo anualmente cerca de 50 mil toneladas da fruta brasileira. “O mercado norte-americano é altamente exigente em qualidade, segurança alimentar e rastreabilidade, e o trabalho conjunto com a
NMB tem sido decisivo para que o Brasil mantenha sua posição de destaque e confiança”, ressaltou.
Lustoza destacou ainda, a importância da realização do Workshop, enquanto fórum essencial para atualizar os exportadores brasileiros sobre tendências de consumo, padrões técnicos e exigências regulatórias do setor. “Certamente teremos mais uma grande oportunidade para ampliação dos conhecimentos, inovações e boas práticas no cultivo, manejo e pós-colheita da manga, compreendendo como a pesquisa e o mercado internacional influenciam a qualidade e a competitividade da fruta do Vale do São Francisco, referência global em produção sustentável e qualidade de mangas frescas”, concluiu.
Um homem morreu.
Ao se dar conta, viu que Deus se aproximava e tinha uma maleta com Ele.
E Deus disse:
– Bem, filho, hora de irmos.
O homem assombrado perguntou:
– Já? Tão rápido?
Eu tinha muitos planos…
– Sinto muito, mas é o momento de sua partida.
– O que tem na maleta?
Perguntou o homem.
E Deus respondeu:
– Os seus pertences!!!
– Meus pertences?
Minhas coisas, minha roupa, meu dinheiro?
Deus respondeu:
– Esses nunca foram seus, eram da terra.
– Então são as minhas recordações?
– Elas nunca foram suas, elas eram do tempo.
– Meus talentos?
– Esses não pertenciam a você, eram das circunstâncias.
– Então são meus amigos, meus familiares?
– Sinto muito, eles nunca pertenceram a você, eles eram do caminho.
– Minha mulher e meus filhos?
– Eles nunca lhe pertenceram, eram de seu coração.
– É o meu corpo. – Nunca foi seu, ele era do pó.
– Então é a minha alma.
– Não!
Essa é minha.
Então, o homem cheio de medo, tomou a maleta de Deus e ao abri-la se deu conta de que estava vazia…
Com uma lágrima de desamparo brotando em seus olhos, o homem disse:
– Nunca tive nada?
– É assim, cada um dos momentos que você viveu foram seus.
A vida é só um momento…
Um momento só seu!
Por isso, enquanto estiver no tempo, desfrute-o em sua totalidade.
Que nada do que você acredita que lhe pertence o detenha…
Viva o agora!
Viva sua vida!
E não se esqueça de SER FELIZ, é o único que realmente vale a pena!
As coisas materiais e todo o resto pelo que você luta fica aqui.
VOCÊ NÃO LEVA NADA!
Valorize àqueles que valorizam você, não perca tempo com alguém que não tem tempo para você.
Passe esta bela reflexão a todos que você gosta neste mundo e desfrute cada segundo vivido.
É isto que você vai levar.
Vc ja fez sua oração hoje? Então vamos orar juntos!!!
– Hoje Senhor, agradeço pelo dia maravilhoso. Pelo alimento, por mais um dia de trabalho e, principalmente, por mais um dia de vida. Abençoa Senhor, meus amigos e inimigos por que eles precisam de ti. Abençoa Senhor, a pessoa que acabou de orar comigo, realize os sonhos dela, lhe dando vitórias que lhe são necessárias, em nome do senhor Jesus amém ! Passe esta ORAÇÃO, bem depressa, o máximo que você puder e em instantes, muitas pessoas estarão orando com você.
Que Deus abençoe você e sua casa…amém.
O ritual tem raízes na civilização maia, que dominou a região até a chegada dos colonizadores espanhóis no século XVI
Maria Luisa Euan observava com ternura enquanto seu segundo marido limpava cuidadosamente o monte de ossos que um dia fora o seu primeiro. Com um pano branco, Jorge Jurado esfregava um fêmur, tirava o pó das vértebras e polia, uma a uma, as dispersas peças dentárias do falecido marido de sua esposa.
“É com amor e carinho”, disse Jurado, de 66 anos, enquanto removia a terra do que parecia ser um dedo. “Quando ela fica feliz, eu fico feliz também.” Euan concordou. Dias antes, eles haviam limpado os ossos da primeira esposa de Jurado. “Na nossa idade, a gente não sente ciúmes”, disse Euan, de 69 anos. “E dos mortos que já descansam, menos ainda.”
Maria Luisa Euan e seu marido Jorge Jurado após limparem ossos no cemitério de Pomuch na quinta-feira — Foto: The New York Times
Aqui em Pomuch, uma cidade de 10 mil habitantes na Península de Yucatán, no México, a exumação é um ato de amor. É também um ritual que desperta cada vez mais o interesse de turistas — e de autoridades locais que enxergam aí uma oportunidade —, o que vem gerando tensão crescente em Pomuch, um dos últimos lugares do México onde ainda se mantém viva a tradição de limpar os ossos dos mortos.
Ritual tem raízes na civilização maia
Todos os anos, nas semanas que antecedem o famoso Dia dos Mortos — celebrado neste fim de semana —, os moradores de Pomuch vão ao cemitério abrir caixas com esqueletos desmontados e tirar o pó dos ossos de seus entes queridos, num ritual destinado a homenagear e apaziguar os espíritos dos antepassados.
Ossos de parentes, exumados para limpeza em um ritual anual no cemitério de Pomuch — Foto: The New York Times
“Não te abandonamos, e não pretendo fazê-lo”, disse Mauro Canul, oficial da Marinha de 41 anos, dirigindo-se aos ossos do avô enquanto os limpava com um pincel. Ele contou que o avô havia aparecido em seus sonhos pedindo mais atenção. Agora, Canul estava sentado diante de duas pilhas de ossos — os do avô e os da avó —, cada qual com um tufo de cabelo emaranhado sobre o crânio. “Eu não posso vê-los”, disse, “mas posso tocá-los.”
O ritual tem raízes na civilização maia, que dominou a região até a chegada dos colonizadores espanhóis no século XVI. Pesquisadores acreditam que os maias às vezes exumavam restos mortais e rearranjavam ossos como forma de homenagear os mortos, dentro de uma crença mais ampla de que a morte é uma passagem para um além onde os ancestrais cuidam dos descendentes. Essa crença é a base das celebrações do Dia dos Mortos no México, que normalmente envolvem altares e oferendas às almas dos parentes falecidos.
O México foi construído sobre a mistura de culturas indígenas e hispânicas — e isso também se reflete em Pomuch. Boa parte da população tem origem maia e é profundamente católica. Vários moradores que limpavam ossos nesta semana citaram a Bíblia como fundamento.
O cemitério de Pomuch, onde ossários de concreto contêm várias caixas de ossos — Foto: The New York Times
O historiador e antropólogo Lázaro Hilario Tuz Chi, de Pomuch, disse que a cidade sempre teve uma relação profunda com a morte. Já foi um ponto importante em uma rota maia para um cemitério sagrado e também um centro de produção de mortalhas. Segundo ele, isso ajudou a formar uma cultura voltada para o além, que se fortaleceu nas últimas duas décadas, à medida que ele e outros moradores passaram a promover a tradição da limpeza dos ossos. Como resultado, Pomuch entrou recentemente no circuito turístico do Dia dos Mortos.
Na semana passada, grupos de turistas franceses e italianos desceram de vans em frente a pequenas tortillerías do outro lado da rua do cemitério de Pomuch. Casais e famílias chegaram em carros alugados. Um casal holandês contou que estava ali por recomendação do ChatGPT. Drones às vezes sobrevoavam o local.
Maria Eredina Has Colli limpando os ossos de seu falecido marido — Foto: The New York Times
O cemitério é um labirinto de passagens estreitas entre ossários de concreto multicoloridos, cada um cheio de caixas de onde crânios espiam. O espaço apertado fazia com que, enquanto os moradores dispunham os restos mortais de seus entes queridos, turistas se aglomerassem em volta. Alguns pediam permissão para filmar, com seu espanhol limitado ou por meio de um guia; outros simplesmente já chegavam com os celulares gravando.
“Não sei se conseguiria fazer isso com meus familiares”, disse Chiara Ciliberti, italiana de 32 anos que participava de um grupo turístico vindo de Cancún.
Turismo
Neste ano, as autoridades locais tentaram capitalizar o interesse crescente. No dia 21 de outubro, o governo municipal de Pomuch publicou nas redes sociais que ofereceria ao público a chance de observar e “participar” da limpeza dos ossos por 30 pesos (cerca de US$ 1,60).
Moradores de Pomuch reagiram rapidamente, criticando a ideia de transformar sua tradição em atração turística, e muitos ficaram confusos sobre se teriam de pagar para entrar no cemitério.
“O ritual é algo totalmente privado. Pertence à família e aos seus mortos”, disse Carlos Ucán, deputado estadual de Pomuch que criticou o plano no plenário da assembleia. “Muitos abrem e convidam outros para ver, mas mesmo isso já cruza a linha tênue entre compartilhar e monetizar.”
Um turista posando no cemitério de Pomuch — Foto: The New York Times
Com a polêmica, o governo local voltou atrás. O prefeito de Pomuch, Cevas Yam, disse em entrevista que sua equipe se comunicou mal, mas que ainda busca uma forma de equilibrar a oportunidade econômica e a preservação cultural. “Existe turismo sustentável”, afirmou. “Mas é uma questão muito, muito sensível.”
A população, por sua vez, parece dividida. “Quero que essa tradição seja conhecida”, disse Canul, logo antes de erguer o crânio do avô para que vários turistas franceses o fotografassem. “Estamos felizes que vocês estejam aqui.”
Nem todos os vizinhos se sentem à vontade. O faz-tudo José Fernández contou que seu negócio — cobrar 40 pesos (cerca de US$ 2) por caixa de ossos limpa — está prosperando. Ele diz que limpa cerca de 200 conjuntos de restos mortais por ano, e que muitos clientes o contratam para evitar ficarem sob o olhar dos curiosos.
Tradicionalmente, os moradores de Pomuch exumam os corpos de seus parentes três anos após o enterro. Os coveiros às vezes removem os restos de carne em decomposição, antes que os familiares esfreguem os ossos com rum ou cal virgem e os deixem secar ao sol.
Os ossos são o motivo central nas celebrações do Dia dos Mortos em Pomuch — Foto: The New York Times
Nos anos seguintes, a limpeza consiste basicamente em escovar levemente os ossos, um processo mais simbólico e espiritual do que propriamente higiênico, explicam os moradores. Depois de limpos, os ossos são envolvidos em um novo tecido branco bordado e organizados em uma caixa até o ano seguinte.
Muitos dizem limpar os ossos dos avós ou pais que lhes ensinaram o costume — e, na semana passada, vários idosos levaram filhos e netos ao cemitério, na esperança de que um dia sejam eles a cuidar de seus ossos. “Eles farão isso no dia em que precisarem, e seus filhos também terão de fazer”, disse Dulce Cohuo, de 84 anos, observando a filha polir o crânio do marido. “É uma corrente que não pode ser quebrada.”
Muitos habitantes de Pomuch têm abraçado a crescente fama da cidade. A rua principal que leva ao cemitério está coberta de murais de caveiras, e, na sexta-feira, o festival local do Dia dos Mortos atraiu milhares de pessoas.
Na celebração, um grupo de professores locais preparou a comida tradicional do Dia dos Mortos no Yucatán: o pibipollo, um grande tamal recheado de frango, envolto em folhas de bananeira e cozido sob a terra. O processo, de origem maia, é visto como uma representação de um corpo em seu túmulo — e tem tamanha ligação com a morte que alguns moradores evitam fazê-lo se um ente querido morreu recentemente.
Desfile na avenida principal de Pomuch durante o festival do Dia dos Mortos — Foto: The New York Times
Os professores disseram que queriam educar os visitantes sobre as tradições de Pomuch. Eles esperam que a comunidade consiga fazer o mesmo com a limpeza dos ossos — preservando o ritual, sem perder o sentido íntimo.
“Essa intimidade foi um pouco tirada. Mas, na minha percepção, as pessoas não veem isso de forma negativa — e sim como uma maneira de mostrar o que é Pomuch”, disse o professor Eduardo Puc Medina.
E o que é Pomuch? “Nós não apenas honramos nossos mortos”, explicou seu colega Marco Mut. “Nós convivemos com eles todos os dias.”