{"id":5109,"date":"2021-11-07T08:06:34","date_gmt":"2021-11-07T11:06:34","guid":{"rendered":"https:\/\/valorcultural.com.br\/?p=5109"},"modified":"2021-11-07T08:06:34","modified_gmt":"2021-11-07T11:06:34","slug":"pense-o-que-quiser-sobre-esg-so-nao-deixe-de-ler-essa-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/2021\/11\/07\/pense-o-que-quiser-sobre-esg-so-nao-deixe-de-ler-essa-entrevista\/","title":{"rendered":"Pense o Que Quiser Sobre ESG, S\u00f3 N\u00e3o Deixe de Ler Essa Entrevista"},"content":{"rendered":"<p><em>Certamente \u00e9 a entrevista mais longa que publiquei. A fun\u00e7\u00e3o do editor \u00e9 cortar trechos menos relevantes e deixar apenas o essencial. E h\u00e1 uma voz corrente na Internet de que textos devem ser curtos, para serem consumidos rapidamente, como quase tudo nos tempos atuais. Vou quebrar as duas regras.<\/em><\/p>\n<p><em>Por v\u00e1rios motivos. Escolhi essa entrevista \u2013 que \u00e9 mais uma conversa do que entrevista \u2013 para ser nosso cart\u00e3o de visita do site <strong>Valor Cultural<\/strong>, a nova casa para atender os fazedores (e consumidores) de cultura. Assim como na revista <strong>Marketing Cultural<\/strong>, que <strong>Valor Cultural <\/strong>est\u00e1 substituindo, s\u00f3 a convidados com algum grau de excel\u00eancia ser\u00e1 oferecido espa\u00e7o para inser\u00e7\u00e3o de conte\u00fado ou exposi\u00e7\u00e3o de ideias. <\/em><\/p>\n<p><em>Segundo motivo \u00e9 que n\u00e3o encontrei trechos menos relevantes. Ap\u00f3s a revis\u00e3o de tudo o que foi dito, fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a se somente eu tivesse o direito de ter acesso total aos conhecimentos revelados aqui, onde perguntas foram respondidas e contextualizadas. <img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5122 alignright\" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/foto_marcio_schiavo-3.bmp\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"337\" \/><\/em><\/p>\n<p><em>E um terceiro \u00e9 que a pressa contempor\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 motivo para todos aqueles que se interessam pela agenda ESG, pela postura dos gestores de empresas, pela aten\u00e7\u00e3o menor que est\u00e1 se dando ao <\/em><strong>S<\/strong><em> dessa sigla, pela \u00e9tica e princ\u00edpios que devem nortear neg\u00f3cios, pela postura de produtores culturais, pelas an\u00e1lises abrangendo a rela\u00e7\u00e3o entre patroc\u00ednio, ESG e leis de incentivo, pelo impacto das a\u00e7\u00f5es de responsabilidade social das companhias, que n\u00e3o devem mirar somente o entorno de suas unidades, e pela origem da m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de diretores que n\u00e3o reconhecem que, antes de tudo, qualquer empresa \u00e9 um ser social, como exige o pr\u00f3prio registro para se obter CNPJ, deixem de apreciar essa mat\u00e9ria do come\u00e7o ao fim.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Marcio Schiavo*<\/em><\/strong><em> n\u00e3o \u00e9 um diletante. Seu compromisso com as melhores pr\u00e1ticas das empresas pode ser contado em d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o a consultoria nas \u00e1reas de responsabilidade social, projetos sociais e culturais, meio ambiente, forma\u00e7\u00e3o de editais e pol\u00edticas de patroc\u00ednio. Seus diversos clientes est\u00e3o na lista da Bolsa de Valores ou s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es vocacionadas a buscar o bem comum com seriedade. <\/em><\/p>\n<p><em>Por isso convido dirigentes de empresas ou entidades do 3\u00ba Setor, consultores que se interessam pela agenda ESG ou responsabilidade social, gestores e produtores culturais, captadores de recurso ou mesmo aqueles que s\u00f3 querem ampliar seu conhecimento profissional e refletir sobre sua postura pessoal, a reservarem um tempo para digerirem essa que considero uma das melhores entrevistas que j\u00e1 fiz. <\/em><\/p>\n<p><em>Acho que ela representa muito bem o esp\u00edrito que desejamos espalhar por aqui. <\/em><\/p>\n<p><em>E instalar o selo de qualidade que nos permite, orgulhosamente, anunciar:<\/em><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong><span style=\"color: #ff6600; text-decoration: underline;\"><em>Bem-vindo \u00e0 Valor Cultural<\/em><\/span><\/strong><em><strong><span style=\"color: #ff6600; text-decoration: underline;\">.<\/span><\/strong><br \/>\n<\/em><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>EM \u2013 <\/em><em>Vamos conversar sobre ESG e outras coisas paralelas.<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Adotar bons princ\u00edpios sobre esta agenda ambiental, social e de governan\u00e7a est\u00e1 entre os debates favoritos dos dirigentes de empresas hoje. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, a maioria est\u00e1 levando a s\u00e9rio estes novos desafios ou s\u00f3 est\u00e1 erguendo mais uma persiana para emba\u00e7ar a vis\u00e3o do p\u00fablico como \u00e0s vezes fazem?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Schiavo &#8211;<\/strong> A maioria das empresas n\u00e3o creio, porque o n\u00famero de empresas \u00e9 muito grande. As empresas grandes est\u00e3o levando a s\u00e9rio porque, se o sistema financeiro est\u00e1 levando a s\u00e9rio, automaticamente ele impacta as decis\u00f5es dentro da empresa porque isto vai impactar juros, condi\u00e7\u00f5es de investimento, principalmente os Fundos.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea olhar hoje para o mercado dos investidores, os principais Fundos que mais est\u00e3o remunerando s\u00e3o os que t\u00eam uma liga\u00e7\u00e3o estreita com a ESG, com a quest\u00e3o ambiental e de governan\u00e7a principalmente. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea v\u00ea a soma do capital das empresas eu acredito que sim, elas est\u00e3o preocupadas e, portanto, trabalhando.<\/p>\n<p>Elas entenderam que \u00e9 bom para o neg\u00f3cio, n\u00e3o \u00e9 simplesmente dar satisfa\u00e7\u00e3o a meia d\u00fazia de ambientalistas. Posso dar alguns exemplos disto, concretos.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 alguns anos trabalhamos para uma empresa importadora de carnes aqui do Brasil e ela exigia que os bois que seriam abatidos tivessem um <em>chip<\/em> debaixo do couro deles e de l\u00e1, onde estavam comprando a carne, monitoravam se os bois estavam pastando em uma \u00e1rea autorizada ou n\u00e3o. Por exemplo, se fosse resultante de um desmatamento ilegal, eles suspendiam o contrato. A mesma coisa est\u00e1 acontecendo no mercado de carbono.<\/p>\n<p>O Brasil ainda est\u00e1 se remunerando pouco pela tonelada de carbono capturado, mas na Europa isto j\u00e1 est\u00e1, em algumas situa\u00e7\u00f5es, ultrapassando, em termos de valor, o pr\u00f3prio objeto da empresa, ou seja, uma empresa agr\u00edcola pode receber uma remunera\u00e7\u00e3o maior pelo volume de carbono capturado do que pela venda dos produtos que cultiva.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 uma realidade, n\u00e3o estou falando em tese. A mesma coisa existe em rela\u00e7\u00e3o a compromissos, de forma geral, ligados ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Quando se verificou de uma forma at\u00e9 mesmo n\u00e3o s\u00f3 clara, como sofrida, a varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a interfer\u00eancia humana no clima da Terra e as consequ\u00eancias que isto est\u00e1 tendo, levou a uma tomada de atitude porque h\u00e1 um entendimento de que se esse problema for mal, vai mal tudo.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s chamamos de era do antropoceno, superando, deixando para tr\u00e1s a era cenozoica e o holoceno, \u00e9 uma realidade, ou seja, pela primeira vez na Hist\u00f3ria a interfer\u00eancia\u00a0 humana no planeta \u00e9 respons\u00e1vel por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0 significativas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que antes n\u00e3o tenham existido, mas era a din\u00e2mica do pr\u00f3prio planeta que, por sua vez, \u00e9 um ser vivo tamb\u00e9m, mas neste momento, por isso foi denominada de antropoceno, h\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da interfer\u00eancia humana e, portanto, \u00e9 preciso corrigir e quem mais sabe destas coisas s\u00e3o as empresas porque elas fazem neg\u00f3cios \u2013 a din\u00e2mica empresarial \u00e9 uma resposta muito r\u00e1pida.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>EM<\/em><em> \u2013 Que exemplos pode dar?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> &#8211; Podemos dar exemplo da mobilidade urbana, a substitui\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis por energia el\u00e9trica menos poluente. J\u00e1 tem regras, j\u00e1 tem leis determinando quando param de circular carros movidos a combust\u00edvel derivados de petr\u00f3leo e quando ser\u00e1 proibida a fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos movidos a derivados de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Portanto eu creio sim que o mundo empresarial, de uma maneira geral, e as grandes empresas, acabam arrastando o resto porque h\u00e1 tamb\u00e9m o compromisso da cadeia produtiva. A empresa n\u00e3o pode estar preocupada unicamente com o que ela diretamente est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 respons\u00e1vel por toda a cadeia produtiva porque, por exemplo, se ela vende um terno na <em>Champs-Elys\u00e9es<\/em> em Paris, mas este terno est\u00e1 sendo fabricada com m\u00e3o de obra em regime de escravid\u00e3o no interior de S\u00e3o Paulo, quem responde \u00e9 a empresa principal, n\u00e3o \u00e9 o terceirizado. Ent\u00e3o h\u00e1 uma s\u00e9rie de movimentos que est\u00e1 levando isso a ter de fato uma consequ\u00eancia pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>EM <\/em><em>\u2013 Mas voc\u00ea n\u00e3o cr\u00ea que est\u00e1 havendo uma aten\u00e7\u00e3o muito maior nas \u00e1reas de governan\u00e7a e meio ambiente? Eu sinto que est\u00e1 se dando menos aten\u00e7\u00e3o para o \u201cS\u201d desta quest\u00e3o. Que elemento principal voc\u00ea acha que o envolvimento social deve se dar sob esta nova \u00f3tica?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_5124\" aria-describedby=\"caption-attachment-5124\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5124 \" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Foto-Joao-Machado.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Foto-Joao-Machado.jpg 403w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Foto-Joao-Machado-229x300.jpg 229w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5124\" class=\"wp-caption-text\">Na praia de Copacabana, a desigualdade se acolhe nos bra\u00e7os impotentes de Drummond (foto Jo\u00e3o Machado)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>MS<\/strong> &#8211; Com certeza isto est\u00e1 ocorrendo. Mas n\u00e3o \u00e9 que isto seja uma novidade, infelizmente. Quando voc\u00ea v\u00ea o impacto clim\u00e1tico, quando voc\u00ea v\u00ea o impacto da corrup\u00e7\u00e3o, ela se intensifica nos \u00faltimos anos. Quando voc\u00ea v\u00ea a desigualdade social, ela est\u00e1 a\u00ed h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 como se a sociedade estivesse mais acostumada com as desigualdades sociais toler\u00e1veis \u2013 deveriam ser intoler\u00e1veis, mas acabam n\u00e3o sendo. Ao longo da hist\u00f3ria da Humanidade sempre houve popula\u00e7\u00f5es vivendo em situa\u00e7\u00f5es extremas, situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o estou com isto justificando. Estou simplesmente dizendo que essa vari\u00e1vel \u00e9 a que mais precisa ser atendida, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mais, no S\u00e9culo XXI, j\u00e1 com 1\/5 dele vencido, a gente continuar convivendo com as desigualdades absurdas, principalmente as que afetam a alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De fato o <strong>\u201cS\u201d<\/strong> est\u00e1 ficando um pouco, um pouco n\u00e3o, bastante relegado a um terceiro momento. O que d\u00e1 mais m\u00eddia, mais glamour, \u00e9 a quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia da governan\u00e7a passa muito pelo sistema financeiro e suas consequ\u00eancias e a \u00e1rea social est\u00e1 em terceiro plano em que, todos concordam, h\u00e1 uma unanimidade, e como dizia Nelson Rodrigues, \u201ca unanimidade \u00e9 burra\u201d, e todo mundo concorda.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o concorde que todos t\u00eam que ter sal\u00e1rio digno, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. Todo mundo concorda. O problema \u00e9 que as medidas efetivas para isso est\u00e3o deixando de acontecer nas propor\u00e7\u00f5es que elas exigem.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>EM \u2013 <\/em><em>Outro ponto que gostaria de debater \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o social das empresas que, quando demonstram, est\u00e1 concentrada nas comunidades onde elas atuam; elas est\u00e3o preocupadas com as comunidades que vivem em torno de suas unidades. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Voc\u00ea n\u00e3o acha que isto \u00e9 uma vis\u00e3o restrita ainda da responsabilidade social? Afinal quando elas \u2013 falo de empresas de modo geral, pois h\u00e1 v\u00e1rios exemplos bons \u2013 s\u00f3 se interessam pela comunidade vizinha, elas n\u00e3o restringem o foco onde se pode melhorar o ambiente de neg\u00f3cio?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 Est\u00e1 \u00e9 uma quest\u00e3o relevante. Vou come\u00e7ar por ela e depois termino com a quest\u00e3o das pessoas. Eu chamo isto de \u201c<em>empresocentrismo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A empresa acha que ela \u00e9 o centro e o que est\u00e1 em volta dela ela costuma chamar de entorno. \u00c9 muito comum voc\u00ea ver na nomenclatura usada nos discursos, nos relat\u00f3rios etc., a\u00e7\u00f5es no entorno da empresa, como se ela fosse o centro.<\/p>\n<p>Qualquer empresa, por maior que seja, cabe dentro de um munic\u00edpio, ou seja, ela cabe em um territ\u00f3rio que j\u00e1 existe, que antecede a empresa.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o primeiro ponto que eu coloco. Quando trabalho para uma empresa, eu trato para que seus dirigentes compreendam e mudem esta nomenclatura substituindo por vizinhan\u00e7a \u2013 vizinhos a gente convive, conhecemos, tratamos bem. \u00c9 um ponto mais geogr\u00e1fico este.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 uma burrice, evidentemente, achar que eu tenho&#8230; vamos supor, vou dar exemplos concretos, uma refinaria de petr\u00f3leo e tenho que me preocupar com um raio de tantos metros em volta desta refinaria como se a \u00e1rea de impacto dela fosse s\u00f3 aquela. Evidentemente que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo passa dentro de um conduto e vai ser usado a 3 mil km de dist\u00e2ncia, o impacto est\u00e1 l\u00e1, a 3 mil km. Isto \u00e9 uma compreens\u00e3o estreita que existe e isto vale, posso dar exemplo da energia el\u00e9trica, a mesma coisa.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 o impacto de Itaipu? Al\u00e9m da vizinhan\u00e7a do lago de Itaipu, est\u00e1 no mercado que consome a energia de Itaipu.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea for para outro tipo de empresa, a que planta soja por exemplo, onde est\u00e1 o impacto dela? Na vizinhan\u00e7a da planta\u00e7\u00e3o ou na prateleira do supermercado do outro lado do mundo? H\u00e1 uma consci\u00eancia crescente do consumidor, e acho que isto vai fazer muita diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>O consumidor premiar\u00e1 as empresas socialmente respons\u00e1veis e recusar\u00e1 os produtos das empresas que n\u00e3o atendam aos quesitos de responsabilidade socioambiental e de governan\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu creio que isto \u00e9 um foco importante, inclusive que as organiza\u00e7\u00f5es precisariam dar. Esta quest\u00e3o de compreender que n\u00e3o \u00e9 exclusivamente no local geogr\u00e1fico que a empresa est\u00e1, acredito que \u00e9 fundamental. \u00c9 claro que existem impactos diretos e por isso a legisla\u00e7\u00e3o estabelece uma \u00e1rea de influ\u00eancia direta, uma \u00e1rea de influ\u00eancia indireta e para estas \u00e1reas existem algumas a\u00e7\u00f5es especificamente obrigat\u00f3rias.<\/p>\n<p>No entanto, se voc\u00ea pegar do litoral de S\u00e3o Paulo at\u00e9 o Rio Grande do Norte, as plataformas de petr\u00f3leo que est\u00e3o no mar est\u00e3o a 300 Km de dist\u00e2ncia da costa e toda essa \u00e1rea litor\u00e2nea \u00e9 considerada zona de impacto e todas as empresas, que est\u00e3o trabalhando a 300 km da costa, est\u00e3o tendo de cumprir exig\u00eancias socioecon\u00f4micas das popula\u00e7\u00f5es costeiras, principalmente de pesca artesanal.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 claro que isto tem que mudar. Os \u00f3rg\u00e3os ambientais de fiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m t\u00eam responsabilidade muito grande nisto, porque eles deveriam fazer uma revis\u00e3o constante nas normas da legisla\u00e7\u00e3o e uma exig\u00eancia maior, n\u00e3o impeditiva, de que a empresa funcione, como se fosse uma luta. Isto \u00e9 uma besteira muito grande.<\/p>\n<p>A gente classifica Primeiro Setor, Segundo, \u00a0Terceiro Setor muito mais para um efeito pedag\u00f3gico, mas, na realidade, estas quest\u00f5es acontecem simultaneamente, envolvendo os tr\u00eas entes, tanto o Primeiro, Segundo e o Terceiro setor.<\/p>\n<p>Veja como exemplo a reinaugura\u00e7\u00e3o do Museu da L\u00edngua Portuguesa: o Governo est\u00e1 presente? Est\u00e1! Se n\u00e3o fosse a participa\u00e7\u00e3o do governo voc\u00ea n\u00e3o teria espa\u00e7o, n\u00e3o teria cess\u00e3o, n\u00e3o teria a possibilidade de fazer o Museu ali.<\/p>\n<p>Mas quem paga a conta? Se n\u00e3o houvesse um forte empenho de algumas empresas para assumir o patroc\u00ednio no caso da restaura\u00e7\u00e3o a partir do inc\u00eandio, e na manuten\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o poderia existir; ent\u00e3o o capital empresarial tamb\u00e9m est\u00e1 presente.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o houvesse a gest\u00e3o n\u00e3o governamental, os institutos, as OS que gerenciam estes espa\u00e7os com um n\u00edvel de compet\u00eancia maior do que a do governo, ainda n\u00e3o t\u00e3o rigorosa quanto a da empresa, mas fica ali no meio do caminho, tamb\u00e9m n\u00e3o aconteceria. Ent\u00e3o cada vez eu acredito que devemos trabalhar pela concep\u00e7\u00e3o de que os tr\u00eas setores s\u00e3o complementares e nunca concorrentes.\u00a0 N\u00e3o querer inviabilizar o outro e sim unir esfor\u00e7os para o bem comum.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que, como voc\u00ea disse deve ser o centro, tamb\u00e9m estamos de acordo com isto e \u00e9 muito comum que a gente acabe se reunindo e discutindo entre a gente, mas, entre aqueles que precisam entender que pessoas s\u00e3o o centro, acaba que a discuss\u00e3o fica mais distante.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o mundial, de alguma maneira, coloca as pessoas como uma <em>commodity<\/em>. \u00a0Se \u00a0voc\u00ea pegar de 10 mil anos pra c\u00e1 ou seja, desde que h\u00e1 registro do Homo Sapiens na concep\u00e7\u00e3o mais ou menos que seguimos tendo, \u00a0voc\u00ea vai ver que at\u00e9 o ano de 1800 a Terra chegou a 1 bilh\u00e3o de habitantes; de 10 mil anos \u00a0at\u00e9 1800. De 1800 a 1930 chegou-se ao segundo bilh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n<p>Portanto, num espa\u00e7o de apenas 130 anos, a popula\u00e7\u00e3o dobrou. \u00a0De 1930 para 1960 o terceiro bilh\u00e3o de habitantes, ou seja, 30 anos; e voc\u00ea chega no ano 2000 com 6 bilh\u00f5es de habitantes. De novo, em 30 anos, a popula\u00e7\u00e3o volta a dobrar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 claro que o impacto desse crescimento populacional acelerado acaba exigindo respostas de todos os entes, tanto no n\u00edvel da gest\u00e3o p\u00fablica\u00a0 quanto da necessidade de produzir todos os bens necess\u00e1rios ao bem-estar da coletividade.<\/p>\n<p>Como o sistema gerencial n\u00e3o acompanhou, n\u00e3o teve como acompanhar o crescimento populacional no n\u00edvel a que chegou.<\/p>\n<p>Para falar em n\u00edvel de Brasil, quem torceu pelo Brasil em 1970, no tricampeonato de futebol, o hino da Sele\u00e7\u00e3o era \u201cnoventa milh\u00f5es em a\u00e7\u00e3o\u201d e chegamos em 2000 com 180 milh\u00f5es, ou seja, produzimos um segundo Brasil com espa\u00e7o de 30 anos, e um segundo Brasil com necessidades, exig\u00eancias a serem atendidas e n\u00e3o h\u00e1 capacidade total de atendimento. Se voc\u00ea pegar a renda <em>per capita,<\/em> que seria simplesmente o Produto Interno Bruto dividido pela \u00a0popula\u00e7\u00e3o, n\u00f3s vamos ter um valor muito baixo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, evidentemente, \u00e9 necess\u00e1rio aumentar a produtividade, \u00e9 necess\u00e1rio fazer crescer o PIB e, principalmente, uma pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o de renda mais justa, porque n\u00e3o \u00e9 justo que um trabalhador da constru\u00e7\u00e3o civil tenha capacidade de construir empreendimentos imobili\u00e1rios fant\u00e1sticos e continue morando na favela onde n\u00e3o tem \u00e1gua, nem esgoto e nem luz.<\/p>\n<p>A \u00e9tica humana n\u00e3o avan\u00e7ou tanto quanto a tecnologia e \u00e9 preciso fazermos \u201cda \u00e9tica\u201d como a tecnologia dos pr\u00f3ximos anos, para que com ela possamos alcan\u00e7ar tamb\u00e9m o n\u00edvel de excel\u00eancia que outras \u00e1reas j\u00e1 alcan\u00e7aram.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>EM<\/em><em> \u2013 Escrevi um artigo no ano passado sobre aquele \u201cSolidariedade S&amp;A\u201d, do Jornal Nacional, onde colocava em d\u00favida a sinceridade de algumas empresas que saiam naquele espa\u00e7o, se elas n\u00e3o estariam s\u00f3 se aproveitando para fazer m\u00eddia mais uma vez. E este ano publiquei outro mostrando que o \u00edndice de doa\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o com o ano passado \u2013 e neste ano a pandemia foi muito pior \u2013 \u00a0caiu para 20% do que foi antes. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Voc\u00ea n\u00e3o acha que, depois de tudo isso, o sentimento que chamo de genu\u00edno, de ajudar a sociedade, ainda n\u00e3o est\u00e1 prevalecendo? Ainda est\u00e3o com aquela velha ideia da m\u00eddia social?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong>Eu acredito que sim. O que n\u00e3o invalida, evidentemente, os esfor\u00e7os para mudar isso. Ent\u00e3o o fato de ter havido um projeto que destacaram as empresas que est\u00e3o fazendo alguma coisa, me parece desej\u00e1vel, desde que a gente tenha um rigor \u00e9tico, ou seja, n\u00e3o querer construir imagem a partir da mis\u00e9ria alheia. Eu chamo isto de \u201cmidis\u00e9ria\u201d, fazer m\u00eddia pr\u00f3pria com a mis\u00e9ria alheia; isto \u00e9 conden\u00e1vel sob todos os aspectos, sem d\u00favida nenhuma.<\/p>\n<p>O fato de a gente chamar de doa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma esp\u00e9cie de preconceito. J\u00e1 h\u00e1 uma leitura a respeito disso como se fosse a ser feita espontaneamente, eu fa\u00e7o se puder, quando puder, e na quantidade que puder.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea considerar que cinco empresas do mundo, e todas recentes, que n\u00e3o existiam h\u00e1 30 anos, t\u00eam a economia maior do que 185 pa\u00edses, ver\u00e1 que o papel delas \u00e9 muito forte.<\/p>\n<p>Quando se reivindica uma participa\u00e7\u00e3o maior\u00a0 da empresa, \u00e9 uma forma de compreender que o s\u00e9culo XXI \u00e9 eminentemente empresarial, onde prevaleceu\u00a0 o capitalismo denominado por alguns como capitalismo selvagem, radical,\u00a0 existem algumas formas de chamar, dependendo de quem chama.<\/p>\n<p>Mas, de qualquer maneira, esse crescimento da empresa est\u00e1 muito \u00a0relacionado a uma equa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, que \u00e9 receita menos despesa. Empresa grande \u00e9 aquela que d\u00e1 lucro grande, n\u00e3o \u00e9 a empresa que atende a sociedade de uma forma\u00a0 maior e melhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 pra isto que se criaram empresas. Quem pensa que empresas s\u00e3o criadas para dar lucro, s\u00e3o pessoas que t\u00eam uma mente muito pequena; empresas s\u00e3o criadas para satisfazer necessidades e desejos da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 pra isso, n\u00e3o \u00e9 simplesmente para reduzir a uma equa\u00e7\u00e3o de quanto eu gastei, por quanto eu vendi, e o resultado \u00e9 isto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5126 alignleft\" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-andrew-neel-3178767.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-andrew-neel-3178767.jpg 750w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-andrew-neel-3178767-200x300.jpg 200w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-andrew-neel-3178767-683x1024.jpg 683w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>E a quem eu responsabilizo mais neste quadro? \u2013 e isso provavelmente vai gerar pol\u00eamica e \u00e9 bom que gere \u2013 eu responsabilizo mais as universidades porque foram elas que formaram estas mentes predat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea pegar os grandes executivos das grandes empresas, a maioria passou, entre aspas, nas melhores universidades e esta mentalidade saiu de l\u00e1, foi l\u00e1 que aprenderam que tem que sacrificar o pobre, tem que sacrificar a sociedade, que tem que corromper para obter um contrato de governo, porque voc\u00ea n\u00e3o vai ver uma pessoa semialfabetizada, com primeiro grau completo apenas, dirigindo uma unidade da Globo, da Amazon, do Facebook. Voc\u00ea vai ver pessoas que passaram por grandes organiza\u00e7\u00f5es de ensino e a pr\u00e1tica, a regra, continua sendo essa.<\/p>\n<p>Voc\u00ea forma um PHD e valoriza a forma\u00e7\u00e3o de um PHD e vai ver no curr\u00edculo daquela pessoa que o PH nunca existiu dentro da grade curricular dele. Ele nunca teve uma aula de filosofia, nunca teve uma aula de \u00e9tica e sai diplomado como fil\u00f3sofo de Green, quer dizer, n\u00e3o tem muito cabimento.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a revis\u00e3o do sistema universit\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 fundamental porque \u00e9 l\u00e1 que v\u00e3o formar as principais lideran\u00e7as, ou seja, elas \u00e9 que v\u00e3o atuar na \u00e1rea das empresas, dos movimentos sociais, ou servir \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. \u00a0Ent\u00e3o, \u00e9 fundamental a gente rever isto tamb\u00e9m, chamar essas pessoas para um di\u00e1logo aberto, franco, que em tese s\u00e3o as melhores cabe\u00e7as e deveriam, portanto, liderar um processo de mudan\u00e7a nessa linha.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>Muito interessante este argumento. E ainda seguindo nesta linha, surgiu um novo elemento agora neste conjunto de letras que \u00e9 o \u201cE\u201d. Agora \u00e9 o EESG. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Uma decis\u00e3o olhando com cuidado quest\u00f5es ambientais, de governan\u00e7a, impactam para o bem e para o mal no resultado financeiro. Como lidar com isto de olho no lucro? Dentro do lucro que voc\u00ea estava falando, acr\u00e9scimo do \u201cE\u201d j\u00e1 \u00e9 pensando em como transformar tudo isto em maior lucro ou tem outra raz\u00e3o para entrar o \u201cE\u201d nesta quest\u00e3o?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 Eu acredito que \u00e9 parte, como uma culmin\u00e2ncia desse pensamento que falei anteriormente. A gente, \u00e0 medida que vai pondo pontos em discuss\u00e3o, e acrescentando alguma coisa nova, ou uma releitura do que j\u00e1 existe, vai renominando outra vez. Passa a ter a economia criativa, economia de Francisco, economia solid\u00e1ria, economia verde, economia circular, \u00e9 como se existisse um monte de economia que voc\u00ea pudesse escolher uma delas: \u201cah, vou seguir a economia circular, portanto vou fazer com que um produto volte ao fabricante depois de usado\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 tend\u00eancia muito grande tamb\u00e9m do que est\u00e1 sendo chamado de \u201cservisifica\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, em vez das pessoas comprarem, adquirirem um produto, elas adquirem o direito de uso daquele produto sem necessariamente ter a posse do produto. Isto faria com que a obsolesc\u00eancia programada, por exemplo, que \u00e9 outro absurdo, tivesse uma resolutividade melhor. Ent\u00e3o, v\u00e3o aparecer muitos outros nomes para determinar alguma dessas vari\u00e1veis, no fundo eu vejo que a quest\u00e3o central continua sendo uma s\u00f3.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que todos compreendam que este \u201ctodos a\u00ed\u201d depende muito de quem fala, qual o tamanho do todo de cada um, o todo tem tamanhos diferentes dependendo de quem usa a express\u00e3o, mas que haja uma compreens\u00e3o mais clara dos papeis dos diversos entes na sociedade.<\/p>\n<p>Se eu produzo bens de consumo, fundamentalmente, o consumidor \u00e9 o ator predominante a\u00ed, \u00e9 o protagonista do processo, e, portanto, a mudan\u00e7a da mentalidade do consumidor, a meu ver, a m\u00e9dio e longo prazo, trar\u00e1 respostas muito significativas. Outro ponto tamb\u00e9m \u00e9 que \u00e9 natural do ser humano querer ver tudo resolvido durante o curt\u00edssimo tempo em que ele vive.<\/p>\n<p>A expectativa de vida est\u00e1 na faixa de 80 anos aqui no Brasil, um pouco mais em outros pa\u00edses, mas isso \u00e9 muito pouco em termos hist\u00f3ricos pra que tudo mude e aconte\u00e7a durante o espa\u00e7o de uma vida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o se voc\u00ea retroage h\u00e1 algum tempo atr\u00e1s, voc\u00ea tamb\u00e9m ver\u00e1 que h\u00e1 mudan\u00e7as acontecendo. Eu nasci em 1950, a expectativa de vida era de 49 anos no Brasil. Eu chego a 2020 com expectativa de 78 anos, quer dizer, \u00e9 quase 80% a mais e a expectativa de vida \u00e9 um indicador extremamente relevante porque ele condensa uma s\u00e9rie de outras vari\u00e1veis. Quando voc\u00ea fala de expectativa de vida, naturalmente est\u00e1 falando da satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades que tornaram poss\u00edvel a vida se estender.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu n\u00e3o sou um apologista do caos. Eu reconhe\u00e7o que existem, principalmente, as desigualdades sociais, que n\u00e3o podemos mais conviver com elas e todos devemos fazer alguma coisa, nos comprometer \u00e9 o pensamento global, pensar globalmente e agir localmente, mas n\u00e3o deixo de reconhecer tamb\u00e9m os sucessos que a gente vem tendo ao longo desse tempo.<\/p>\n<p>Eu comecei a trabalhar na vida profissional na d\u00e9cada de 70, a mortalidade infantil em muitas \u00e1reas do Nordeste era de 250 por mil, 25%. Era comum perguntar \u201cquantos filhos a Sra. tem, comadre?\u201d, e a resposta era \u201cah eu tive 12, mas s\u00f3 vingou 4\u201d.<\/p>\n<p>Existia uma conta de diminuir j\u00e1 calculada de nascer tantos e morrer tantos e, portanto, uma das raz\u00f5es de ter muito filho era fazer o c\u00e1lculo daqueles que n\u00e3o vingariam, como era express\u00e3o comumente utilizada.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea projetar a\u00ed 30, 50 anos \u00e0 frente, na minha opini\u00e3o, as coisas estar\u00e3o bem melhores do que est\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 90 a gente ainda falava em IRPS, \u201cIngresso, Regresso , Perman\u00eancia e Sucesso&#8221; da crian\u00e7a na \u00a0Escola. O ingresso era um grande problema porque n\u00e3o tinha escola para todos que nasciam. Hoje o ingresso est\u00e1 praticamente resolvido, a \u00e1rea f\u00edsica est\u00e1 bem melhor, n\u00e3o \u00e9 o ideal, mas mais equacionada. A\u00ed a reivindica\u00e7\u00e3o passa a ser a educa\u00e7\u00e3o infantil, passa a ser a creche, o hor\u00e1rio integral. H\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o naquilo que a gente reivindica.<\/p>\n<p>Escolas rurais, educa\u00e7\u00e3o voltada para a \u00e1rea rural, fixa\u00e7\u00e3o do jovem rural no campo, escola de altern\u00e2ncia, ent\u00e3o h\u00e1 um crescente tamb\u00e9m nas exig\u00eancias por melhoria e todos viram o que foi a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no campo, onde voc\u00ea consegue aumentar a produ\u00e7\u00e3o de um hectare muitas vezes e isso \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o significativa, pois na medida em que um hectare de terra produza 3 ou 4 vezes mais do que produzia antes, significa que vai diminuir a quantidade de \u00e1rea \u00a0que precisa ser plantada para alimentar todo mundo.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4755 alignright\" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1.webp\" alt=\"\" width=\"308\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1.webp 2560w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1-300x300.webp 300w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1-1024x1024.webp 1024w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1-150x150.webp 150w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1-768x768.webp 768w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1-1536x1536.webp 1536w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Pratrocinadores-Imagem-Homem-sentado-1-scaled-1-2048x2048.webp 2048w\" sizes=\"(max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><\/p>\n<p>Esse pensamento \u00e9 hol\u00edstico, precisa prevalecer, \u00e9 fundamental que isto aconte\u00e7a. E como n\u00e3o vem sendo feito na maioria das vezes no ambiente escolar, as m\u00faltiplas organiza\u00e7\u00f5es sociais acabam sendo aquelas que melhor t\u00eam respondido a estas demandas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea v\u00ea que a primeira fala sobre inclus\u00e3o digital nasceu do CDI (Centro de Democratiza\u00e7\u00e3o da Inform\u00e1tica) e da\u00ed a pr\u00f3pria ind\u00fastria da informa\u00e7\u00e3o, ao perceber isso, passou a apoiar de forma significativa a organiza\u00e7\u00e3o, mas\u00a0 voc\u00ea v\u00ea, nasceu de uma pessoa que simplesmente botou na cabe\u00e7a \u00a0que se ela tinha computador era um direito de todos os outros terem e foi para as comunidades com computador na m\u00e3o capacitar jovens daquela regi\u00e3o pra isso.\u00a0 E cresceu, no Brasil virou uma \u201cmultinacional social brasileira\u201d. A \u00e1rea das Organiza\u00e7\u00f5es Sociais, de maneira geral, tem dado uma contribui\u00e7\u00e3o muito grande. Se voc\u00ea olhar no aspecto macroecon\u00f4mico, macrossocial, ver\u00e1 que os governos tendem\u00a0 a diminuir e est\u00e3o diminuindo de tamanho, de gest\u00e3o, de responsabilidade direta.<\/p>\n<p>Antes o governo tomava conta da rodovi\u00e1ria, do aeroporto, o correio era do governo, no Rio de Janeiro a CEDAE era do governo, ent\u00e3o o governo vai saindo de v\u00e1rias \u00e1reas, vai diminuindo o tamanho dele, e automaticamente a empresa vai crescendo porque vai absorvendo aquelas obriga\u00e7\u00f5es que anteriormente eram vinculadas especificamente aos governos e determinadas \u00e1reas v\u00e3o sendo ocupadas pelas organiza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tamb\u00e9m compara o n\u00famero de OS em cada d\u00e9cada, leva um susto! Atualmente, pelo IPEA, existem cerca de 820 mil Organiza\u00e7\u00f5es Sociais no Brasil, das quais pelo menos a metade e, estamos falando em 400 mil ou um pouco mais, relatou atividades no \u00faltimo ano, ou seja, est\u00e3o ativas. Isso come\u00e7a evidentemente a fazer a diferen\u00e7a. Tem determinadas coisas que o governo n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o para fazer. Voc\u00ea imagina uma Escola de Samba da Prefeitura, o que aconteceria com o pobre do Carnaval?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, da mesma maneira, o setor social, como o setor cultural, abriga muitas das melhores mentes para a sociedade que nem a empresa, nem o governo consegue levar.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">E<em>M \u2013 <\/em><em>Eu gostaria de voltar \u00e0 quest\u00e3o do \u201cS\u201d, falar um pouco sobre o envolvimento das empresas com projetos sociais e culturais. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Em raz\u00e3o desta agenda ESG, vendo os relat\u00f3rios anuais, e visitando os sites delas, tenho notado que muitas tinham pol\u00edtica de patroc\u00ednio, \u00a0tinham campo para encaminhamento de projetos, publicavam crit\u00e9rios que utilizavam para patrocinar a\u00e7\u00f5es e isto tudo est\u00e1 sumindo. N\u00f3s vamos questionar as empresas porque elas est\u00e3o fazendo isto, queremos que elas expliquem o que vem acontecendo. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Mas voc\u00ea concorda que estas mudan\u00e7as est\u00e3o tirando a transpar\u00eancia que existia sobre essas aplica\u00e7\u00f5es?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 N\u00e3o sei necessariamente se estamos falando em transpar\u00eancia. Porque na medida em que voc\u00ea faz uma pesquisa, consulta os relat\u00f3rios e n\u00e3o v\u00ea estas quest\u00f5es, de certa maneira fica transparente que a aten\u00e7\u00e3o da empresa para estas \u00e1reas est\u00e1 diminuindo, mesmo que essa n\u00e3o tenha sido a inten\u00e7\u00e3o da empresa. No conjunto voc\u00ea tem muito claro essa vis\u00e3o pelo que entendi, e viu que antes existiam pelo menos espa\u00e7os espec\u00edficos que mostravam as rela\u00e7\u00f5es da empresa com a comunidade, programas de patroc\u00ednios culturais, social, de esporte e por a\u00ed vai. Aconteceu a meu ver duas coisas.<\/p>\n<p>A primeira, a pr\u00f3pria forma do relat\u00f3rio. Pode n\u00e3o parecer relevante, mas eu tenho constatado, e voc\u00ea certamente muito mais do que eu, que relat\u00f3rio \u00e9 uma pe\u00e7a que praticamente ningu\u00e9m l\u00ea, principalmente dentro da empresa. Ela contrata algu\u00e9m para fazer e a pessoa sai catando informa\u00e7\u00f5es aqui e ali nos diversos departamentos, condensa aquilo, contrata para fazer uma diagrama\u00e7\u00e3o bonitinha, mas aquilo n\u00e3o \u00e9 discutido internamente, n\u00e3o \u00e9 mostrado, n\u00e3o faz parte do plano de neg\u00f3cios para dizer como vamos considerar isso ou aquilo, raramente, raramente.<\/p>\n<p>Por exemplo, uma empresa do setor qu\u00edmico, uma grande empresa, anos atr\u00e1s, h\u00e1 mais de 10 anos pelo menos, nos contratou para ajud\u00e1-la num desafio que era o seguinte: temos uma orienta\u00e7\u00e3o do Conselho Gestor da empresa, do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da empresa, que dentro de 15 anos teremos que ter 20% dos dirigentes mulher. \u00a0E, portanto, n\u00f3s precisamos tomar a\u00e7\u00f5es para cumprir esta meta em 15 anos. A primeira pergunta que eu fiz, pergunta boba, muito idiota, confesso, foi: \u201cpor que voc\u00eas n\u00e3o contratam 25% logo de uma vez?\u201d.<\/p>\n<p>Disseram n\u00e3o, porque \u201ca filosofia da empresa \u00e9 formar seus gerentes e diretores, ent\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o temos que abrir m\u00e3o de nossa filosofia que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o interna do quadro dirigente e para formar um gerente eu preciso de 10 a 15 anos para poder confiar mais e dar uma \u00e1rea significativa de responsabilidade a ele. Ent\u00e3o n\u00f3s temos que come\u00e7ar agora para que daqui a 15 anos termos isso\u201d.<\/p>\n<p>Ok. \u00a0Ent\u00e3o \u00e9 preciso voc\u00eas abrirem o funil de entrada. \u00c9 preciso que na entrada de um futuro l\u00edder desta empresa o n\u00famero de mulheres aumente, o caminho n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de voc\u00ea determinar. Mas ali se via uma pr\u00e1tica concreta, um interesse concreto em atender uma determina\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo dirigente da empresa. \u00a0A maioria dos relat\u00f3rios olha para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>O que eu fiz no \u00faltimo ano? E relata aquilo de uma maneira muitas vezes at\u00e9 promocional. Uma quest\u00e3o est\u00e1 nisto. Por isto saiu o Relat\u00f3rio de Responsabilidade Social, o Relat\u00f3rio de Sustentabilidade, e a vers\u00e3o mais atual, o Relat\u00f3rio Integrado.<\/p>\n<p>Integrado porque ele tenta integrar todas as \u00e1reas, ele tem que ser extremamente compacto, \u00e9 uma das principais caracter\u00edsticas ser um relat\u00f3rio menor para poder ter mais chance de que mais pessoas analisem. Isto \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio. O relat\u00f3rio relata atividades; se ele n\u00e3o fez, honestamente ele n\u00e3o teria muito o que relatar.<\/p>\n<p>A chave da quest\u00e3o est\u00e1 na diminui\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o da empresa de que ela \u00e9 respons\u00e1vel parcialmente pela comunidade onde ela atua e pela cadeia produtiva que ela tem, ou seja, todas as for\u00e7as necess\u00e1rias \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o de seus produtos e servi\u00e7os e tamb\u00e9m por quem vai usar aquilo, o consumidor que est\u00e1 l\u00e1 na ponta. Temos exemplos, claro que ainda s\u00e3o exemplos isolados, onde voc\u00ea pode se tornar o assinante de uma roupa.<\/p>\n<p>Eu mesmo sou assinante de uma roupa, ent\u00e3o em vez de ir a uma loja comprar roupa, eu assino camisa, eu assinando uso camisa, eu recebo camisa, devolvo, troco por outra. Ent\u00e3o, isto est\u00e1 come\u00e7ando a acontecer, e quando isto acontece no meio empresarial, a pr\u00f3pria competi\u00e7\u00e3o entre eles, se encarrega de acelerar o processo e os resultados se ampliam.<\/p>\n<p>Eu vou te dizer uma coisa curiosa, n\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 prestou aten\u00e7\u00e3o. Discute-se muito se a empresa tem alguma coisa a ver com quest\u00e3o social ou n\u00e3o. \u00a0Ent\u00e3o vamos l\u00e1 !<\/p>\n<p>Uma empresa, para existir, ela tem que ter uma raz\u00e3o social. Voc\u00ea n\u00e3o consegue registrar a empresa se n\u00e3o preencher no formul\u00e1rio a chamada \u201cRaz\u00e3o Social\u201d; tem que registrar um instrumento chamado \u201cContrato Social\u201d, e tem que declarar uma quantia que est\u00e1 internalizando na empresa que se chama \u201cCapital Social\u201d e, se a empresa\u00a0 for muito grande, ela se transforma numa Sociedade An\u00f4nima.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o faz nenhum sentido discutir se a empresa tem alguma coisa com o social ou n\u00e3o. Ela tem, a raz\u00e3o \u00e9 social, o capital \u00e9 social, o contrato \u00e9 social e ela aspira ser uma sociedade an\u00f4nima, ent\u00e3o vamos deixar de lado a quest\u00e3o se ela \u00e9 ou n\u00e3o social, vamos discutir se ela est\u00e1 fazendo para merecer ser uma organiza\u00e7\u00e3o que comp\u00f5e um quadro, um segmento extremamente relevante da sociedade. Eu n\u00e3o contestaria estrategicamente o fato de a empresa ser ou n\u00e3o um ente social. Ela \u00e9!<\/p>\n<p>Ah, n\u00e3o t\u00e1 cumprindo! Claro, ela tem que cumprir essa e outras obriga\u00e7\u00f5es. Ela tem que colocar um produto no mercado, de qualidade, com pre\u00e7o justo, que \u00e9 outra obriga\u00e7\u00e3o. A finalidade da empresa, como eu disse, \u00e9 atender necessidades e desejos leg\u00edtimos da sociedade. Quando voc\u00ea vai meramente pelo lucro, o lucro pelo lucro, ent\u00e3o come\u00e7a a explorar a m\u00e3o de obra, explorar os recursos naturais, por qu\u00ea? Porque quero baixar custos e aumentar o quanto poss\u00edvel a comercializa\u00e7\u00e3o do que eu fa\u00e7o, seja um produto ou servi\u00e7o, porque quero aumentar a coluna da receita e a\u00ed a coisa acaba indo mal. Mas existe uma terceira coluna, que ela cada vez mais tem se mostrado relevante, que \u00e9 a coluna do investimento.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5137 aligncenter\" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Imagem3.jpg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Imagem3.jpg 318w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Imagem3-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 875px) 100vw, 875px\" \/><\/p>\n<p>Se a empresa coloca \u201ceu tenho que investir em&#8230;..\u201d e completa depois a frase, por que \u00e9 com os investimentos que os resultados v\u00e3o aparecer, ent\u00e3o tenho que investir na sociedade na qual eu atendo porque \u00e9 dali que os resultados v\u00e3o aparecer. Tanto que surgiu a express\u00e3o \u201cinvestimento social privado\u201d.<\/p>\n<p>A dificuldade da maioria \u00e9 medir qual \u00e9 o retorno porque, quando voc\u00ea faz um investimento, a principal l\u00f3gica \u00e9 o retorno. Qual \u00a0\u00e9 a taxa de retorno do investimento? Se voc\u00ea botou 100 mil em alguma coisa, ao final de algum tempo voc\u00ea vai querer saber se os 100 mil viraram 80 ou 120.<\/p>\n<p>O mais relevante para investimentos se denomina \u201ctaxa de retorno\u201d, e na \u00e1rea social \u00e9 a mesma coisa. Neste sentido as organiza\u00e7\u00f5es sociais precisam melhorar muito, o caminho que elas t\u00eam pela frente \u00e9 enorme, portanto, o espa\u00e7o para forma\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Porque precisam demonstrar a import\u00e2ncia delas para a sociedade, o que est\u00e3o fazendo, elas t\u00eam que sair do paradigma de necessidades assistidas, de emerg\u00eancia, sem nenhum dem\u00e9rito para esta quest\u00e3o, pois n\u00f3s vivemos ainda agora em plena epidemia e, portanto, atender a muitas pessoas que foram prejudicadas pelas mudan\u00e7as muito r\u00e1pidas ocorridas no mercado, precisam ser feitas e s\u00e3o a\u00e7\u00f5es emergenciais. Elas t\u00eam seu momento, sua import\u00e2ncia evidentemente. Mas, no m\u00e9dio e longo prazo, a gente precisa medir a transforma\u00e7\u00e3o que estamos conseguindo fazer.<\/p>\n<p>Faz uma an\u00e1lise a\u00ed para ficar no Brasil, dos resultados das Olimp\u00edadas. V\u00ea quem se sobressaiu? Quem ganhou medalhas? Com algumas exce\u00e7\u00f5es, \u00e9 um pessoal que tem hist\u00f3ria pra contar e geralmente tem origem numa comunidade, numa situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, de supera\u00e7\u00e3o, ou seja, se voc\u00ea aumentar as oportunidades voc\u00ea aumentar\u00e1 vencedores, em todos os sentidos, e o vencedor dentro do esp\u00edrito de se comemorar o avan\u00e7o da \u00e1rea como um todo, e n\u00e3o a vit\u00f3ria individual.<\/p>\n<p>Com absoluta certeza se a gente aumentar as oportunidades teremos mais engenheiros, mais m\u00e9dicos, mais enfermeiras, mais professores, melhores motoristas, bons carpinteiros, bons pedreiros. Nenhuma atividade \u00e9 menor ou menos importante que outra. De maneira nenhuma. Todas t\u00eam seu lugar, devem ser remuneradas de forma digna. Tanto que os principais indicadores da quest\u00e3o da sustentabilidade e da ESG \u00e9 a diferen\u00e7a entre o maior e o menor sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um indicador fundamental porque reflete como est\u00e1 sendo considerada dentro do organismo empresarial principalmente, como ela est\u00e1 equacionando isso. Quando voc\u00ea tem valores muito distantes um do outro, significa que a pr\u00f3pria empresa n\u00e3o est\u00e1 praticando uma pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o de seu quadro de funcion\u00e1rio, de colaboradores como deveria e n\u00f3s defendemos \u00e9 que as pessoas evidentemente mantenham suas caracter\u00edsticas, suas personalidades, suas habilidades, mas tenham o direito a viver dignamente do trabalho que realizam e para isso \u00e9 preciso de fato uma recomposi\u00e7\u00e3o dessa equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quer dizer, uma nova ordem econ\u00f4mica para reduzir isso a uma express\u00e3o mais simples, \u00e9 uma exig\u00eancia hoje que n\u00e3o podemos seguir adiando.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>N\u00f3s temos um problema s\u00e9rio de mentalidade, de quem tem um posto de poder. Esta nova vis\u00e3o n\u00e3o existe, com raras exce\u00e7\u00f5es. Nossa mentalidade \u00e9 ainda muito atrasada. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 Eu costumo brincar que n\u00f3s perdemos o rabo, mas ainda falta muita coisa para aperfei\u00e7oar no ser humano.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 \u00c9, meu pai dizia que ainda falta muito para o Homem se desbichificar. <em>Tem uma nova quest\u00e3o. Voc\u00ea acha compat\u00edvel a empresa se envolver com a\u00e7\u00f5es sociais e culturais fazendo uso de leis de incentivo, sob a \u00f3tica da ESG ?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> &#8211; \u00c9 controverso. Porque voc\u00ea tem o incentivo e voc\u00ea tem a ren\u00fancia fiscal e muitas vezes \u00e9 confundido. Quando h\u00e1 uma ren\u00fancia fiscal o governo est\u00e1 deixando de receber um imposto parcialmente e a empresa est\u00e1 fazendo uso deste recurso. \u00c9 evidente que \u00e9 desej\u00e1vel, o pessoal da cultura aplaude, mas \u00e9 uma ren\u00fancia. Ent\u00e3o tem que ser usado para o bem p\u00fablico, n\u00e3o pode ser usado para uma a\u00e7\u00e3o promocional da pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n<p>Se \u00e9 um incentivo al\u00e9m daquele estabelecido na legisla\u00e7\u00e3o como ren\u00fancia fiscal, ent\u00e3o a empresa, de certa maneira, tem orgulho de estampar o nome dela como patrocinadora de uma exposi\u00e7\u00e3o, show ou museu, eu vejo a situa\u00e7\u00e3o dessa forma.<\/p>\n<p>O que se discute muito, e acho que de certa maneira os dois lados t\u00eam raz\u00e3o, e por isso \u00e9 complicado a gente chegar a uma conclus\u00e3o, \u00e9 de que o uso das leis para promover produtos vinculados \u00e0 imagem da pr\u00f3pria empresa n\u00e3o seria o mais adequado; muito mais s\u00e9rio do que isso, no meu entender, \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o da \u00e1rea cultural pelos mesmos entes que se apropriaram da economia.<\/p>\n<p>Quer dizer, quanto maior eu sou mais eu tenho direito a usar incentivos, ou mesmo o atributo da ren\u00fancia e, portanto, eu passo a determinar tamb\u00e9m qual \u00e9 a cultura que vou disponibilizar para a sociedade. Acho isto um risco!<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM\u00a0\u2013 <em>Voc\u00ea pode dar exemplos de ocorr\u00eancias desta forma?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> <strong>\u2013<\/strong> Sim. \u00a0Por exemplo, o Ita\u00fa, que presta um servi\u00e7o muito \u00fatil, muito interessante na \u00e1rea cultural, mas ele tem outras contribui\u00e7\u00f5es end\u00f3genas, que s\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es para organiza\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Ita\u00fa. Ent\u00e3o, em vez de ele apoiar uma entidade desvinculada que est\u00e1 realizando um trabalho interessante,\u00a0 ele, sob o pretexto de que precisa aplicar bem o recurso e ter resultados,\u00a0 acaba internalizando em organiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria empresa, do pr\u00f3prio grupo.<\/p>\n<p>Tem uma s\u00e9rie de outros. Voc\u00ea pega o pessoal do \u00a0GIFE, por exemplo, que \u00e9 o Grupo de Institutos e Funda\u00e7\u00f5es Empresariais, e voc\u00ea vai ver que se legitimou completamente os Institutos e Funda\u00e7\u00f5es Empresariais para gerenciar o recurso destinado \u00e0 \u00e1rea social, cultural e esportiva principalmente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5138\" aria-describedby=\"caption-attachment-5138\" style=\"width: 422px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5138\" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Brumadinho-1-Reproducao-do-Instagram-@ricardostuckert.jpg\" alt=\"\" width=\"422\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Brumadinho-1-Reproducao-do-Instagram-@ricardostuckert.jpg 868w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Brumadinho-1-Reproducao-do-Instagram-@ricardostuckert-300x223.jpg 300w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Brumadinho-1-Reproducao-do-Instagram-@ricardostuckert-768x570.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 422px) 100vw, 422px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5138\" class=\"wp-caption-text\">Rompimento de barragem em Brumadinho. Um dos maiores desastres ecol\u00f3gicos do Pa\u00eds. (reprodu\u00e7\u00e3o Instagram @ricardostuckert).<\/figcaption><\/figure>\n<p>E algumas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o completamente absurdas \u2013 a Funda\u00e7\u00e3o Renova. criada pela Vale. Ela causa um dano ambiental do tamanho que causou e um dano humanit\u00e1rio do tamanho que causou, com as mortes decorrentes dos dois acidentes, e ela tem uma organiza\u00e7\u00e3o para gerir o processo de repara\u00e7\u00e3o dos danos que ela pr\u00f3pria causou. Evidente que isso n\u00e3o poderia acontecer. Ent\u00e3o tem exemplos<em> lights<\/em> e tem exemplos<em> hards<\/em> como esse, a meu ver totalmente despropositado, pois jamais poderia a repara\u00e7\u00e3o dos danos causados ser gerida pela empresa causadora. Por mais que queira dizer \u201cah mas tem o Conselho\u201d, nada, nada, nada. Ela n\u00e3o poderia ter nenhum tipo de inger\u00eancia sobre o processo de recupera\u00e7\u00e3o quer seja ambiental, humano ou social.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o quer dizer que o produto destas empresas seja ruim. De maneira nenhuma! Compreende-se que provavelmente os melhores exemplos a gente encontre exatamente nas grandes empresas patrocinadoras de a\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da cultura, como voc\u00ea est\u00e1 frisando especificamente.<\/p>\n<p>Claro que estas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o geridas por pessoas, pessoas que, se voc\u00ea olha pra elas, s\u00e3o todas b\u00edpedes, tem cabe\u00e7a, tronco e membros, igualzinho a gente, pelo menos externamente, ent\u00e3o, a melhoria da pessoa gestora no caso, impactar\u00e1 positivamente a melhoria daquilo que ela est\u00e1 gerenciando.<\/p>\n<p>Mais uma vez a gente vem para as quest\u00f5es relacionadas a educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Isto, a meu ver, seria extremamente relevante quando tivermos pessoas bem treinadas, bem capacitadas, n\u00e3o na mentalidade empresarial, para isso esta pessoa encontra espa\u00e7o para crescer dentro da empresa. Mas pessoas que sejam bem preparadas e habilitadas com mentalidade social, com mentalidade cultural e com mentalidade esportiva, que \u00e9 diferente daquela que \u00e9 especificamente voltada para resultados no campo empresarial.<\/p>\n<p>Fica como se fosse uma aplica\u00e7\u00e3o \u2013 eu vou aplicar a minha metodologia que fez de mim uma grande construtora num projeto social. N\u00e3o \u00e9 assim \u201ceu vou aplicar num projeto social que foi um sucesso\u201d&#8230;. para fazer um bom projeto social. N\u00e3o \u00e9 assim que acontece!<\/p>\n<p>\u00c9 uma tentativa meia de transpor a experi\u00eancia da empresa para o setor cultural e para o setor social, como se um bom gestor empresarial fosse necessariamente um bom gestor para a \u00e1rea social e cultural.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5140 alignleft\" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-martin-pechy-2844464.jpg\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-martin-pechy-2844464.jpg 750w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-martin-pechy-2844464-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/>Na minha opini\u00e3o \u00e9 totalmente inapropriado, a cultura est\u00e1 sempre na frente, o papel dela \u00e9 estar na frente, a cultura n\u00e3o tem compromisso com a certeza, ela tem compromisso com a busca, portanto ela n\u00e3o trabalha para o dia seguinte, ela trabalha com uma perspectiva muito na frente.<\/p>\n<p>Mas quando n\u00f3s olhamos para tr\u00e1s, a longo prazo, a\u00ed voc\u00ea v\u00ea uma coisa curiosa, voc\u00ea pergunta, normalmente eu fa\u00e7o esta pergunta muitas vezes \u2013 \u201cvoc\u00eas poderiam me dizer o nome de um empres\u00e1rio do s\u00e9culo XVI, ou da Gr\u00e9cia antiga? Um comerciante, empres\u00e1rio seja l\u00e1 o que fosse, voc\u00eas sabem me dizer um nome, militares ou nome de governantes?\u201d<\/p>\n<p>Mas o que se lembram s\u00e3o de fil\u00f3sofos, s\u00e3o de poetas, s\u00e3o dos teatr\u00f3logos, s\u00e3o os pintores, m\u00fasicos, ent\u00e3o \u00e9 isto que fica.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>A gente v\u00ea muita Funda\u00e7\u00e3o criada por empresa para financiar s\u00f3 o seu museu por exemplo, para as suas atividades. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Assim fica f\u00e1cil, tudo por ren\u00fancia fiscal, artigo 18 da lei Rouanet, e nada sai do bolso. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong>Exato. \u201cAh, ent\u00e3o a lei \u00e9 ruim\u201d&#8230; um pequeno ajuste resolveria isso. Voc\u00ea teria uma comiss\u00e3o gestora independente, enfim, uma forma de escolher os dirigentes que n\u00e3o fosse uma imposi\u00e7\u00e3o da empresa contribuinte. Mais, eu que trabalho na forma\u00e7\u00e3o de gestores culturais, junto \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gest\u00e3o Cultural, sabemos a dificuldade que \u00e9 quem quer trabalhar ou trabalha com cultura. Normalmente se d\u00e1 muito pouca import\u00e2ncia a estas outras quest\u00f5es, ent\u00e3o a gest\u00e3o fica sacrificada; n\u00e3o a cultura\u00a0 em si, mas a gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Um bom gestor faz falta. A gente est\u00e1 vendo as trag\u00e9dias que v\u00eam acontecendo com os museus brasileiros e isto caracteriza muito uma falta de gest\u00e3o apropriada. N\u00e3o estou culpando ou nominando nenhum dirigente especificamente, mas o sistema que favorece a possibilidade dessas verdadeiras trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>A UFRJ teve tr\u00eas patrim\u00f4nios incendiados nos \u00faltimos tr\u00eas anos, por exemplo. Ent\u00e3o, \u00e9 evidente que \u00e9 preciso um olhar diferente para estas \u00e1reas, pela import\u00e2ncia que elas t\u00eam e ter a capacidade de fazer as corre\u00e7\u00f5es que precisam ser feitas para que estes riscos sejam totalmente eliminados.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>Para encerrar, eu gostaria de fazer uma pergunta que a gente est\u00e1 recebendo muito ultimamente em cima desta da quest\u00e3o do ESG, em cima do \u201cS\u201d.<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Como o \u201cS\u201d desta sigla pode ajudar proponentes de projetos culturais e sociais? Que conselhos daria a este proponente para tirar o melhor proveito desta nova ordem? \u00a0O que muitos nos perguntam \u00e9: \u201cno que ela vai nos ajudar?\u201d \u00a0<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS &#8211;<\/strong> Eu acho que \u00e9 preciso melhorar uma s\u00e9rie de coisas, mas melhorar primeiro a proposta. Na maioria das vezes, eu falo isto com experi\u00eancia de ter elaborado muitos editais, participado de muitos processos de sele\u00e7\u00e3o, o proponente quer que algu\u00e9m pague o sonho dele. Ele sonha fazer isto, aquilo, ele diz que a coisa que ele est\u00e1 fazendo \u00e9 a mais importante que tem no mundo e apenas n\u00e3o tem dinheiro para fazer.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o busca a integra\u00e7\u00e3o da proposta dele com o corpo da empresa, com o envolvimento da empresa proponente; ele busca o dinheiro, se n\u00e3o for da empresa A, ser\u00e1 da B, ser\u00e1 da C, e se n\u00e3o for da A, B ou C, ele n\u00e3o faz. Ele pr\u00f3prio, sem saber, reduz o trabalho dele a ter ou n\u00e3o ter dinheiro pra fazer.<\/p>\n<p>O que recomendo \u00e9 uma melhoria \u2013 primeiramente, porque estou falando sob a perspectiva do proponente \u2013 \u00a0a melhoria daquilo que ele apresenta \u00e0 empresa, o v\u00ednculo que ele est\u00e1 fazendo com os valores e com a miss\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa nada, mesmo que este anunciado da empresa n\u00e3o esteja se dando na pr\u00e1tica, \u00e9 bom lembr\u00e1-la que ela tem estes valores colocados, ela tem Miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea associa a sua proposta ao \u00e2mbito da atua\u00e7\u00e3o da empresa, seja este \u00e2mbito na quest\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 geogr\u00e1fica, n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 impactando, porque esta \u00e9 a l\u00f3gica da empresa como j\u00e1 falamos, est\u00e1 impactando o lugar onde eu moro? N\u00e3o! Est\u00e1 impactando a vida do planeta como um todo! Voc\u00ea dizer que a Amaz\u00f4nia \u00e9 um problema brasileiro, s\u00f3 uma mentalidade pequena pode considerar isso, s\u00f3 quem n\u00e3o entende dos ecossistemas pode achar isto.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o uma coisa est\u00e1 nisso, conceber a proposta de forma integrada. Eu at\u00e9 brinco: \u201cvoc\u00eas t\u00eam que deixar de buscar patroc\u00ednio e buscar \u201c<em>matroc\u00ednio<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o uma brincadeira com pai e m\u00e3e porque m\u00e3e voc\u00ea n\u00e3o tem d\u00favida que \u00e9 aquela. Ent\u00e3o, tem que ser um projeto customizado, o projeto precisa atender a cadeia de valores, a cadeia produtiva e a cadeia de consumo da empresa; a\u00ed ela vai se ver no projeto, \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Vai dar mais trabalho evidentemente, mas ela vai se ver, sem voc\u00ea abdicar daquilo que voc\u00ea considera que tem que fazer. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um terceirizado simplesmente da empresa; quando a empresa precisa terceirizar alguma parte daquilo que ela faz, ela contrata o terceirizado.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o caso da quest\u00e3o social, cultural e ambiental. Ent\u00e3o devemos ser fi\u00e9is aos nossos projetos, aos nossos valores, \u00e0s nossas propostas, mas \u00e9 preciso melhorar a proposta.<\/p>\n<p>Segunda coisa, melhorar a gest\u00e3o. Se a gente consegue gerenciar bem, manter os diversos p\u00fablicos bem informados, isto \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Vou dar um exemplo concreto. Uma empresa que est\u00e1 localizada num determinado munic\u00edpio de 150, 200 mil habitantes, a\u00ed a empresa est\u00e1 l\u00e1, tem os executivos dela e voc\u00ea de repente faz um trabalho junto \u00e0s escolas p\u00fablicas e privadas daquele munic\u00edpio e, entre as quest\u00f5es que voc\u00ea coloca para as escolas, independente do projeto em si que voc\u00ea est\u00e1 fazendo, est\u00e1 uma entrevista das crian\u00e7as com os pais delas sobre o impacto daquela empresa, daquele neg\u00f3cio na vida delas. E, por exemplo, voc\u00ea vai se surpreender se de repente um executivo da empresa ser perguntado pelo filho dele sobre aquilo que est\u00e1 acontecendo e vai ver que o filho est\u00e1 prestando aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estou dando um exemplo simples, mas muito aplic\u00e1vel, muito concreto, a gente j\u00e1 usou estrat\u00e9gias deste tipo para que as pessoas percebam que aquilo que elas est\u00e3o fazendo influenciar\u00e1 gera\u00e7\u00f5es futuras. E tem uma dimens\u00e3o muito maior do que aquilo que diretamente ela est\u00e1 produzindo no seu mundo empresarial. A capacidade de capilaridade e perman\u00eancia de uma a\u00e7\u00e3o social e cultural \u00e9 muito maior do que um bem de consumo que vai ser consumido e pronto, acabou, em maior ou menor tempo.<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 ter a capacidade de melhorar a gest\u00e3o em todos os sentidos, e envolver mais a pr\u00f3pria empresa naquilo que est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas estar interessado na parte pecuni\u00e1ria, quanto a empresa est\u00e1 dando e na presta\u00e7\u00e3o de conta. Quando voc\u00ea presta conta, est\u00e1 seguindo a mesma l\u00f3gica da empresa, gastei tanto, recebi tanto, de tal maneira. Raramente voc\u00ea est\u00e1 falando do impacto daquilo que fez, raramente voc\u00ea est\u00e1 falando da transforma\u00e7\u00e3o obtida pela atividade que fez. A\u00ed a gente vai ficar quase sempre nas exce\u00e7\u00f5es e o que a gente precisa neste caso \u00e9 transformar exce\u00e7\u00e3o em regra.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>Do ponto de vista da empresa, levando-se em considera\u00e7\u00e3o os novos conceitos do social, dentro do ESG, esta nova mentalidade que est\u00e1 se criando, este novo olhar que est\u00e1 acontecendo, que n\u00e3o deve ser o mesmo que havia dois anos atr\u00e1s, do ponto de vista da empresa, o que voc\u00ea acha que ela est\u00e1 esperando quando recebe um projeto, uma apresenta\u00e7\u00e3o de um projeto social ou cultural para ela apoiar? <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>O que mudou na vis\u00e3o dela de dois anos para c\u00e1 nesta nova ordem, vamos dizer assim, na hora da an\u00e1lise? Voc\u00ea acha que mudou alguma coisa? <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 Acho que \u00e9 um processo. Se voc\u00ea me perguntar eu posso provar que mudou, dependendo do \u00a0exemplo que eu usar. No conjunto a mudan\u00e7a \u00e9 lenta, muito lenta. Muito menor em intensidade do que a gente gostaria que acontecesse. A empresa, a favor dela, diz o seguinte: \u201ceu pago impostos, a carga tribut\u00e1ria \u00e9 alta, \u00e9 pesada e em tese, a carga tribut\u00e1ria \u00e9 exatamente para que o governo posso gerenciar adequadamente, suprir as necessidades das pessoas no que diz respeito principalmente aos servi\u00e7os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o etc.\u201d<\/p>\n<p>Para a empresa \u00e9 c\u00f4modo. \u201cEu pago impostos e o imposto vai virar essas necessidades e, al\u00e9m disso, estou apoiando projetos\u201d. Como se fosse uma coisa excepcional!<\/p>\n<p>Existem as compensa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e os programas compensat\u00f3rios, e, principalmente, quando voc\u00ea necessita de uma licen\u00e7a social ou ambiental, predominantemente voc\u00ea tem a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir o que estabelece o programa de socioeconomia, de recupera\u00e7\u00e3o de renda etc.<\/p>\n<p>A empresa faz isto, mas objetivamente, respondendo \u00e0 sua quest\u00e3o, ou por obriga\u00e7\u00e3o, quando a legisla\u00e7\u00e3o por um pacto de ajustamento de conduta exige, ou ela faz isto por uma determina\u00e7\u00e3o do Conselho ou dos dirigentes principais \u00a0dizendo: \u201cvamos \u00a0destinar, al\u00e9m de tudo, de todas as obriga\u00e7\u00f5es nossas, 1% do resultado para apoiar projetos\u201d, e a\u00ed entra numa situa\u00e7\u00e3o o seguinte: quem \u00e9 que faz isto dentro da empresa?<\/p>\n<p>Em geral \u00e9 uma pessoa que costuma \u201cter jeito\u201d para esta quest\u00e3o, \u201caquela fulana \u00e9 volunt\u00e1ria em programa social, ela tem jeito para o assunto, vamos coloc\u00e1-la para fazer\u201d. N\u00e3o \u00e9 a mesma exig\u00eancia do processo de forma\u00e7\u00e3o que tem, por exemplo, um gerente de produto, um gerente de marketing que, a\u00ed sim, s\u00e3o rigorosos num processo de escolha.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5110\" aria-describedby=\"caption-attachment-5110\" style=\"width: 1047px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5110 \" src=\"https:\/\/projetohost.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-miriam-espacio-2858374.jpg\" alt=\"\" width=\"1047\" height=\"1047\" srcset=\"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-miriam-espacio-2858374.jpg 1280w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-miriam-espacio-2858374-300x300.jpg 300w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-miriam-espacio-2858374-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-miriam-espacio-2858374-150x150.jpg 150w, https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/pexels-miriam-espacio-2858374-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1047px) 100vw, 1047px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5110\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Chame a fulana, parece que ela tem jeito para a quest\u00e3o&#8221;. Para a \u00e1rea social, n\u00e3o h\u00e1 mesma exig\u00eancia do processo de forma\u00e7\u00e3o que tem um gerente de marketing, por exemplo.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea \u00e9 muito deficiente e na maioria das vezes incorpora pessoas que n\u00e3o t\u00eam muita capacidade, a n\u00e3o ser uma simpatia pela causa. Quase sempre a coisa vai para este lado.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou dizer o nome de empresa por uma quest\u00e3o \u00e9tica, mas j\u00e1 conseguimos mudar algumas grandes empresas da seguinte maneira: &#8211; mostre seu organograma. Pegam o papel, o Power Point e mostram o organograma e a\u00ed localizo a \u00e1rea social no organograma da empresa. Quando tem, porque muitas vezes nem tem.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas est\u00e3o vendo como eles est\u00e3o muito, muito longe do poder de decis\u00e3o? Com esta hierarquiza\u00e7\u00e3o vertical que voc\u00eas usam, jamais esta \u00e1rea vai contribuir para o \u201cneg\u00f3cio de voc\u00eas\u201d. Ent\u00e3o eu proponho o que chamo de organograma tem\u00e1tico: \u201cvoc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o transformar o respons\u00e1vel pela \u00e1rea social em um diretor; no entanto, na hora em que estiverem tomando decis\u00f5es a respeito da \u00e1rea social, ele deve ser a principal voz\u201d.<\/p>\n<p>Vamos cham\u00e1-lo a uma reuni\u00e3o de diretoria para que esta pessoa, que normalmente n\u00e3o participa da reuni\u00e3o de diretoria do Conselho, exponha quais s\u00e3o as propostas e porque ela prop\u00f5e isto na \u00e1rea social e deixe de ser um cumpridor de ordens daquele\u00a0 \u00faltimo tema da pauta, que n\u00e3o houve tempo para ser discutido, e simplesmente disser \u201cd\u00e1 um valor a\u00ed e busque na empresa quem \u00e9 que tem capacidade, possibilidade de fazer isto\u201d. Muitas vezes \u00e9 relegado a um terceiro plano, a empresa precisa ter uma postura diferente. N\u00e3o tem neg\u00f3cio bom em sociedade ruim.<\/p>\n<p>A empresa precisa melhorar o ambiente de neg\u00f3cios para que os neg\u00f3cios possam responder \u00e0quilo que ela pretende. Mais uma vez \u00e9 uma quest\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o, tanto do dirigente espec\u00edfico, como daqueles que v\u00e3o estar na cadeia de valores da empresa.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso, para finalizar, que muitas empresas, principalmente aquelas que d\u00e3o muito certo, cujos propriet\u00e1rios ou controladores ganham todo o dinheiro do mundo, no final da hist\u00f3ria eles chegam \u00e0 conclus\u00e3o de que t\u00eam que criar uma Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles v\u00e3o l\u00e1 em cima e depois voltam e criam funda\u00e7\u00f5es, Funda\u00e7\u00e3o Ford, Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller, Funda\u00e7\u00e3o Bill Gates e vai por a\u00ed afora.<\/p>\n<p>E quando voc\u00ea olha, tamb\u00e9m \u00e9 outra caracter\u00edstica curiosa, o entendimento de que o chamado Terceiro Setor \u00e9 imprescind\u00edvel para a economia, est\u00e1 na quest\u00e3o concreta que os principais setores criam suas ONGs.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tem o Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo, que congrega as institui\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo para defender o segmento de petr\u00f3leo; voc\u00ea tem o Instituto Trata Brasil, que vai trabalhar com o saneamento b\u00e1sico \u2013 enquanto voc\u00ea est\u00e1 lutando para levar saneamento b\u00e1sico para a favela, eles est\u00e3o vendendo canos, por exemplo; Instituto \u00c9tico da \u00e9tica concorrencial, que se resume praticamente ao uso inadequado de pirataria de marcas, mas s\u00e3o in\u00fameros. Estou citando alguns, mas s\u00e3o in\u00fameros.\u00a0 Ent\u00e3o o segmento empresarial acaba lan\u00e7ando m\u00e3o de um ente n\u00e3o governamental e cria seu pr\u00f3prio Instituto, sua pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o e muitos deles, por exemplo, v\u00e3o se filiar ao GIFE, que \u00e9 o centro do centro.<\/p>\n<p>\u00c9 o grupo dos grupos porque as institui\u00e7\u00f5es que fazem parte j\u00e1 s\u00e3o representativas das suas empresas e de seus segmentos. Ent\u00e3o isso comprova, a meu ver, a tese de que os tr\u00eas setores precisam trabalhar integrados. Esta animosidade, muitas vezes existente, entre uma empresa e o governo, ou \u00a0uma ONG e empresa, eu vejo como uma das raz\u00f5es de a gente n\u00e3o estar avan\u00e7ando nessa \u00e1rea e espero que isso brevemente deixe de acontecer dessa maneira e a integra\u00e7\u00e3o entre os setores se d\u00ea, esta tangencia entre os 3 setores se d\u00ea de uma maneira mais competente, mais \u00e9tica, \u00e9 o que a gente espera estar construindo, colaborando com isto.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>E o indicativo de que o social \u00e9 onde est\u00e3o dando menos import\u00e2ncia est\u00e1 exatamente nesses relat\u00f3rios anuais onde, invariavelmente, o envolvimento dela com o social est\u00e1 nas \u00faltimas p\u00e1gina ou no \u00faltimo item. Pode pesquisar \u2013 s\u00e3o rar\u00edssimos os relat\u00f3rios que n\u00e3o encerram com a parte social.<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS \u2013<\/strong> \u00c9 verdade. Quando voc\u00ea tem um relat\u00f3rio, o que vem na capa do relat\u00f3rio? &#8230;.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM &#8211; <em>&#8230;. mensagem do presidente&#8230;. rsrs<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> &#8211; &#8230; mas \u00e9 da empresa e se a empresa vem do social \u00e9 uma coisa para colocar cara a cara para eles. Olha, voc\u00eas botam ali o capital social, a Raz\u00e3o Social, e os controladores que s\u00e3o regulados pelo contrato social. E a\u00ed voc\u00eas simplesmente colocam um adendo l\u00e1, quando muito, duas p\u00e1ginas no final, uns gr\u00e1ficos. \u00c9 o tal neg\u00f3cio: voc\u00ea troca o seu pecado por tr\u00eas Aves Marias no confession\u00e1rio e sai absolvido.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>E o pior \u00e9 que em grande parte dos casos \u00e9 com uso da ren\u00fancia fiscal e nem isso \u00e9 dito. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 Exatamente. Essa \u00e9 outra coisa que a transpar\u00eancia deveria exigir. Mas, mais uma vez, quando a gente est\u00e1 fazendo a proposta, n\u00f3s devemos deixar claro para quem estamos apresentando, se o recurso ser\u00e1 um a+ ou simplesmente est\u00e1 cumprindo a legisla\u00e7\u00e3o nesse sentido.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>\u00c9, a Valor Cultural vai cobrar muito as empresas sobre essas quest\u00f5es. Isso \u00e9 que vai ser interessante. Vamos mexer muito com esse mercado ainda.<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 E n\u00e3o h\u00e1 retorno maior do que o retorno da cultura. Voc\u00ea olha para a hist\u00f3ria da Humanidade, o que voc\u00ea conseguir ver fisicamente \u00e9 o que a cultura fez.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>N\u00e3o consigo entender que uma empresa use a ren\u00fancia fiscal \u2013 que \u00e9 uma coisa legal, deve usar usada mesmo, a gente n\u00e3o \u00e9 contra \u2013 com R$ 20 milh\u00f5es, R$ 15 milh\u00f5es, apoia dezenas de projetos culturais, coisas importantes que a gente v\u00ea, mas n\u00e3o aproveitam, elas n\u00e3o mostram; n\u00e3o sei se elas t\u00eam receio de dizer que est\u00e3o usando a ren\u00fancia fiscal, o que seria um erro cretino porque exatamente o que elas deveriam fazer \u00e9 \u201colha o que estamos fazendo com a ren\u00fancia fiscal que estamos usando\u201d, n\u00e3o \u00e9? Estamos fazendo isso, isso, isso. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 Exatamente.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>E ela ganharia com isso. S\u00f3 teria vantagem. N\u00f3s usamos tanto de incentivo fiscal e olha o que n\u00f3s fizemos com esse dinheiro. A\u00ed mostra quem recebeu: \u201cfulano de tal, projeto tal, valor, impacto, quantas pessoas beneficiadas\u201d&#8230; Certa vez escrevi uma mat\u00e9ria sobre o Atacad\u00e3o. O Atacad\u00e3o utiliza milh\u00f5es por ano e patrocina dezenas de projetos. \u00c9 um ator importante dentro do mercado. Mas n\u00e3o d\u00e1 um pio sobre esses investimentos. N\u00e3o mostra em lugar nenhum (N.da R: pertence ao Grupo Carrefour). E at\u00e9 escrevi pra eles \u2013 se eu fosse diretor de marketing dessa empresa eu criava at\u00e9 uma revista mostrando os projetos que a gente apoia, dando entrevista com os realizadores&#8230;, tem de mostrar o que est\u00e1 fazendo&#8230; Realmente n\u00e3o entendo. E olha que repito isso h\u00e1 v\u00e1rios anos. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Para n\u00e3o dizerem que n\u00f3s s\u00f3 falamos da parte cr\u00edtica&#8230;. Quando vejo coisas que posso criticar, eu critico, eu tenho um sentido cr\u00edtico, mas tamb\u00e9m dou muita aten\u00e7\u00e3o para aqueles que fazem direito, fazem corretamente, acho que temos que valorizar estas empresas. Escrevi uma nota voltada para o relat\u00f3rio da Natura, que creio ser a que melhor compreendeu a nova quest\u00e3o de ESG. <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\"><em>Voc\u00ea tem exemplos de outras empresas que compreenderam realmente esta nova agenda em todas as facetas?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>MS<\/strong> \u2013 Tenho sim. \u00c9 \u201carriscado\u201d a gente nominar uma ou outra porque deixa de lado, pelo esquecimento moment\u00e2neo, contribui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o relevantes.<\/p>\n<p>Mais que isto, a Exame do m\u00eas passado traz na capa as 17 principais institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam trabalhado a quest\u00e3o da ESG de uma maneira mais profissional, mais eficiente e a\u00ed tem empresas como o Ita\u00fa, a pr\u00f3pria Natura, Grupo Educacional como o Anima, empresas na \u00e1rea de energia, enfim, tem uma amostra ali, nesta edi\u00e7\u00e3o especificamente eles colocam 17 empresas.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea for ao \u00cdndice de Sustentabilidade Empresarial da B3, da Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo, voc\u00ea vai encontrar empresas que est\u00e3o relatando de maneira mais s\u00e9ria suas atividades, dando uma satisfa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de forma mais sistem\u00e1tica daquilo que est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p>A mesma coisa se voc\u00ea for no \u00cdndice Dow Jones de Sustentabilidade, ver\u00e1 as principais empresas a n\u00edvel internacional que est\u00e3o sobressaindo na gest\u00e3o das quest\u00f5es relacionadas ao ambiente, governan\u00e7a e \u00e1rea social.<\/p>\n<p>Eu prefiro nominar esses mecanismos \u00e0 empresa propriamente. Em cada mecanismo desse voc\u00ea vai encontrar um conjunto de empresas trazendo \u00e0 luz analistas que se preocupam com essas \u00e1reas, essas rela\u00e7\u00f5es mais evidentes.<\/p>\n<p>Da mesma maneira que o setor, a \u00e1rea que mais emprega no Brasil s\u00e3o as pequenas e m\u00e9dias empresas, eu chamo aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para a contribui\u00e7\u00e3o das pequenas e medias empresas para essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu creio que isto tamb\u00e9m vai levantar voo na hora que chegar nas pequenas e m\u00e9dias empresas, quando algu\u00e9m de uma empresa menor achar que pode fazer, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o de construir um relat\u00f3rio (\u00e0s vezes gastam mais dinheiro no relat\u00f3rio do que na a\u00e7\u00e3o propriamente dita), ent\u00e3o isto precisa se capilarizar, precisa\u00a0 ser um bem comum, uma preocupa\u00e7\u00e3o comum, dos tr\u00eas setores, volto a dizer, tanto das empresas, quanto da \u00e1rea social e ambiental.<\/p>\n<p>O respeito acho necess\u00e1rio ao papel dos ativistas, sejam eles na \u00e1rea dos direitos humanos, por exemplo, ou das quest\u00f5es ambientais. Reputo que s\u00e3o importantes e devem existir, mas o espa\u00e7o de coopera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 importante, \u00e9 relevante e precisa ser valorizado, como voc\u00ea diz, de reconhecer aqueles que est\u00e3o trabalhando de uma forma mais consequente, para construir uma sociedade melhor, um mundo melhor, \u00a0e vamos alcan\u00e7ar. N\u00e3o tenho d\u00favida disso, n\u00e3o, n\u00e3o! N\u00e3o acho que \u00e9 um caso perdido e que o mundo se inviabiliza. N\u00e3o! De maneira nenhuma!<\/p>\n<p>Eu creio que, com maior ou menor rapidez, vamos alcan\u00e7ar n\u00edveis de melhoria de todas estas quest\u00f5es. Quando voc\u00ea olha na Hist\u00f3ria, quando voc\u00ea v\u00ea o <em>Relat\u00f3rio Brundtland<\/em>, por exemplo, que \u00e9 um relat\u00f3rio ainda da d\u00e9cada de 80, vai ver como ele demora para chegar a um ODS, mas a raiz estava l\u00e1. Estava l\u00e1! Estava na Noruega, na Dinamarca naquela \u00e1rea.<\/p>\n<p>Quando se fez a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, pela primeira vez se definiu o que era sustentabilidade de uma forma aceita pela maioria dos pa\u00edses e se come\u00e7ou a trabalhar numa pauta nesse sentido para chegar aos ODMS, que foram substitu\u00eddos pelos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel).<\/p>\n<p>Os ODS s\u00e3o compromissos subscritos por 185 pa\u00edses, mal ou bem v\u00e3o ter que avan\u00e7ar nesta pauta e ser\u00e3o cobrados a n\u00edvel internacional pelos avan\u00e7os que tiverem.<\/p>\n<p>Eu prefiro olhar e trabalhar sob a \u00f3tica de que vai dar certo, vamos prosseguir para um mundo melhor e \u00e9 para isto que a gente dedica os nossos esfor\u00e7os, nosso conhecimento.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">EM \u2013 <em>Eu tamb\u00e9m n\u00e3o tenho d\u00favida porque a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 permanente e cont\u00ednua. Ela pode ser lenta ou mais r\u00e1pida, mas ela est\u00e1 sempre acontecendo. Disto n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida!<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><em>*<\/em><em><strong> Marcio Schiavo<\/strong> \u00e9 Prof. Dr. L.D. em Comunica\u00e7\u00e3o Social (UGF\/RJ), P\u00f3s-Graduado em Comunica\u00e7\u00e3o para o\u00a0Desenvolvimento Humano (CIACOP\/UNESCO-Costa Rica) e P\u00f3s-Graduado em Educa\u00e7\u00e3o Sexual pela Universidade de Havana. Vice-Presidente da ABGC, Vice-Presidente do ISCBA, Presidente da Comiss\u00e3o de \u00c9tica da SBRASH, Membro do Grupo Gestor e do Comit\u00e9 Executivo da Rede <strong>N\u00e3o Bata, Eduque<\/strong>. Coordenador do MBA em Sustentabilidade e Gest\u00e3o Socioambiental da ABGC\/UCAM. \u00c9 diretor da empresa de consultoria Comunicarte e um dos construtores de <strong>VALOR CULTURAL<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p><strong>*<\/strong><strong><em>\u00c9 Editor-Chefe de <span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"https:\/\/valorcultural.com.br\/\">VALOR CULTURAL\/Marketing Cultural <\/a><\/span>e <\/em><\/strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong><em><a href=\"https:\/\/valorcultural.com.br\/perfil-de-patrocinadores\/\">Perfil de Patrocinadores<\/a><\/em><\/strong><\/span><strong><em>, que t\u00eam entre seus prop\u00f3sitos dar visibilidade a bons projetos ou a\u00e7\u00f5es, valorizar empresas que praticam patroc\u00ednios conscientes e apontar aquelas que fingem ser o que n\u00e3o s\u00e3o<\/em><\/strong><em> <strong>no campo da Responsabilidade Social. <\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #ff6600; text-decoration: underline;\"><strong><a style=\"color: #ff6600; text-decoration: underline;\" href=\"https:\/\/valorcultural.com.br\/vamos-parar-de-dar-nossos-livros-de-poesia\/\">LEIA TAMB\u00c9M: Vamos Parar de Dar Nossos Livros de Poesia\u00a0<\/a><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/valorcultural.com.br\/cultura-empresas-patrocinio-e-preciso-discutir-essa-relacao\/\"><span style=\"text-decoration: underline;\">LEIA TAMB\u00c9M: Cultura, Empresas, Patroc\u00ednio. \u00c9 Preciso Discutir Essa Rela\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #ff6600; text-decoration: underline;\"><strong><a style=\"color: #ff6600; text-decoration: underline;\" href=\"https:\/\/valorcultural.com.br\/responsabilidade-cultural-e-nao-ve-la-como-produto-de-consumo\/\">LEIA TAMB\u00c9M: Responsabilidade Cultural \u00e9 N\u00e3o V\u00ea-la Como Produto de Consumo\u00a0<\/a><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certamente \u00e9 a entrevista mais longa que publiquei. A fun\u00e7\u00e3o do editor \u00e9 cortar trechos menos relevantes e deixar apenas o essencial. E h\u00e1 uma voz corrente na Internet de que textos devem ser curtos, para serem consumidos rapidamente, como quase tudo nos tempos atuais. Vou quebrar as duas regras.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rios motivos. Escolhi essa entrevista \u2013 que \u00e9 mais uma conversa do que entrevista \u2013 para ser nosso cart\u00e3o de visita do site Valor Cultural, a nova casa para atender os fazedores (e consumidores) de cultura. Assim como na revista Marketing Cultural, que Valor Cultural est\u00e1 substituindo, s\u00f3 a convidados com algum grau de excel\u00eancia ser\u00e1 oferecido espa\u00e7o para inser\u00e7\u00e3o de conte\u00fado ou exposi\u00e7\u00e3o de ideias.<\/p>\n<p>Segundo motivo \u00e9 que n\u00e3o encontrei trechos menos relevantes. Ap\u00f3s a revis\u00e3o de tudo o que foi dito, fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a se somente eu tivesse o direito de ter acesso total aos conhecimentos revelados aqui, onde perguntas foram respondidas e contextualizadas.<\/p>\n<p>E um terceiro \u00e9 que a pressa contempor\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 motivo para todos aqueles que se interessam pela agenda ESG, pela postura dos gestores de empresas, pela aten\u00e7\u00e3o menor que est\u00e1 se dando ao S dessa sigla, pela \u00e9tica e princ\u00edpios que devem nortear neg\u00f3cios, pela postura de produtores culturais, pelas an\u00e1lises abrangendo a rela\u00e7\u00e3o entre patroc\u00ednio, ESG e leis de incentivo, pelo impacto das a\u00e7\u00f5es de responsabilidade social das companhias, que n\u00e3o devem mirar somente o entorno de suas unidades, e pela origem da m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de diretores que n\u00e3o reconhecem que, antes de tudo, qualquer empresa \u00e9 um ser social, como exige o pr\u00f3prio registro para se obter CNPJ, deixem de apreciar essa mat\u00e9ria do come\u00e7o ao fim.\u00a0<\/p>\n<p>Marcio Schiavo* n\u00e3o \u00e9 um diletante. Seu compromisso com as melhores pr\u00e1ticas das empresas pode ser contado em d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o a consultoria nas \u00e1reas de responsabilidade social, projetos sociais e culturais, meio ambiente, forma\u00e7\u00e3o de editais e pol\u00edticas de patroc\u00ednio. Seus diversos clientes est\u00e3o na lista da Bolsa de Valores ou s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es vocacionadas a buscar o bem comum com seriedade.<\/p>\n<p>Por isso convido dirigentes de empresas ou entidades do 3\u00ba Setor, consultores que se interessam pela agenda ESG ou responsabilidade social, gestores e produtores culturais, captadores de recurso ou mesmo aqueles que s\u00f3 querem ampliar seu conhecimento profissional e refletir sobre sua postura pessoal, a reservarem um tempo para digerirem essa que considero uma das melhores entrevistas que j\u00e1 fiz.<\/p>\n<p>Acho que ela representa muito bem o esp\u00edrito que desejamos espalhar por aqui.<\/p>\n<p>E instalar o selo de qualidade que nos permite, orgulhosamente, anunciar:<\/p>\n<p>Bem-vindo \u00e0 Valor Cultural.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9655,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[93],"class_list":["post-5109","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-culturavaloresesgrouanet"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5109\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hospedagempb.com\/valorcultural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}